
«Os consumidores portugueses gastam mais do que a média europeia em comida e Portugal importa cada vez mais alimentos para satisfazer a procura e compensar a falta de produção.
A conclusão surge expressa na edição desta terça-feira do Diário Económico, que recorda que, no cabaz médio de bens da zona euro, os alimentos representam menos de 15%. Já em Portugal, este peso ronda os 20%.
Espanha, principal parceiro nas trocas comerciais e maior fonte de investimento, é outro dos países com alta exposição à conjuntura adversa nos preços da alimentação e do custo do crédito: o endividamento junto da banca é dos mais elevados do euro e os alimentos têm um peso de 20% no cabaz básico de bens de consumo.
Já Grécia, França ou Alemanha revelam-se menos vulneráveis, quer pelo menor peso da alimentação no cabaz, quer pela menor dependência face ao crédito bancário.
Portugal é assim das economias mais expostas da Europa ao choque mundial nos preços dos bens alimentares pois, adicionalmente, luta contra a pressão do elevado endividamento sobre as despesas das famílias e empresas.
No entender dos especialistas, refere ainda o DE, esta situação está a empurrar mais pessoas para a pobreza e ameaça seriamente - a par da crise financeira - o poder de compra das famílias, a facturação e a criação de emprego das empresas e, sobretudo, os mais endividados pois quanto mais elevados os preços na zona euro, mais as taxas de juro podem subir».
In Diário Digital