
O bilhete acima diz «Venho por este meio informar a Professora de que quando o telemóvel da aluna XXX tocar na aula que nunca mais voltas a dizer que á aluna que fica sem Telémovel quando tocar é o pai ou a mãe, portanto que seja a ultíma vez que falas assim com a aluna se quiseres Tirar-lhe o Telemovel Tiras á minha frente O Pai.» (sic).
A grandessíssima besta iletrada que escreveu a nota acima afixada à professora de sua filha, o que merecia? Que pai é este, que educação revela, que educação transmite à sua criança?
A grandessíssima besta iletrada que escreveu a nota acima afixada à professora de sua filha, o que merecia? Que pai é este, que educação revela, que educação transmite à sua criança?
Terá sido feita a denúncia desta ameaça escrita ao Ministério Público? E se foi feita a denúncia, que consequências teve?
Não sou professor por escolha pessoal mas, sem mais considerações e porque lido de muito perto (diariamente) com os produtos dos sistemas familiares disfuncionais e com o resultado longitudinal do sistema de ensino público, só posso afirmar que a escola actual serve para pouco ou para quase nada.
A escola Pública actual, resultado de experiências pedagógicas desconexas ao longo de mais de vinte anos, transformou-se num local onde são despejadas crianças e adolescentes na vã ilusão que lá ficam para aprender algo de útil para si e para a sociedade. Trata-se de uma ilusão caríssima paga por todos os contribuintes, mesmo os que não têm filhos a estudar, e para quê?
Os alunos limitam-se a passar o tempo na escola, não sabem estudar, não têm regras nem disciplina, são ignorantes nas ciências e nas letras, não sabem o que é o pensamento crítico, são completamente intolerantes à frustração e desconhecem o que é a planificação, o esforço organizado e a metodologia de trabalho ou a proficiência.
Os poucos alunos interessados e aqueles que querem realmente aprender não têm condições práticas para estudar porque a maioria dos colegas estão desinteressados e são indisciplinados, o que transforma muitas salas de aula em autênticos campos de batalha perante a passividade dos - cada vez mais desautorizados e cada vez menos motivados - docentes.
Por sua vez, os professores estão em larga maioria mal formados para a prática pedagógica; fazem-no em condições para o exercício pedagógico que estão longe de serem as adequadas e sentem-se naturalmente desmotivados para exercer as desajustadas funções que actualmente se lhes exige que cumpram. A isto acresce que os programas (currícula) são paupérrimos, os alunos não sabem estar - entre iguais e com os adultos - porque não têm boa educação em casa e os pais exigem que a escola faça um duplo trabalho - o de educar (papel que pertence à parentalidade) além da função de instruir.
Estamos a assistir à formação de uma geração de miúdos mimados, ignorantes, desumanizados, fúteis e egoístas (e fico-me por aqui porque a responsabilidade não é totalmente deles), a quem é transmitida a ideia de que o sucesso não requer disciplina e esforço, mas sim manipulação, teimosia birrenta ou pedinchice descarada. Uma geração que desconhece que o respeito pelo próximo representa garantias de reciprocidade para si mesmos. Uma geração que pensa ser desnecessária a disciplina pessoal e trabalho organizado para alcançar riqueza ou sucesso. Uma geração a quem foi transmitida a ideia do primado da fama fácil e do exibicionismo como valores prioritários para alcançar um alto status, cujo valor intrínseco se encontra fundamentado na apologia mediática do consumismo materialista. Uma geração que ambiciona muito mais ser Estrela e muito menos saber como ser Líder.
Para reforçar negativamente a bandalheira crescente em que se transmuta a escola pública, a avaliação dos alunos tornou-se ultimamente um alvo fácil de chacota por via do facilitismo oficial e do cada vez mais baixo nível de exigência, escandalosamente apenas para efeitos estatísticos.
Por conseguinte, não admira que os níveis de produtividade nacional continuem condenados à mediocridade pois a maioria dos alunos, para não dizer a totalidade, saí da escola sem saber fazer nada, inclusive sem saber escrever em português, fazer contas básicas ou pensar com racionalidade ou espírito crítico.
As luminárias que acabaram com as Escolas Industriais - e aquelas outras que transformaram os actuais Politécnicos em imitações de Universidades - deviam ser todas processadas pelo Estado e no limite, afastadas de todas as decisões estratégicas nacionais. Aquele enorme erro, mantido durante décadas de políticas erráticas de educação, faz-se pagar cada dia mais caro. Nem os centros de formação profissional ou os cursos de formação para formadores - ambos enormes sorvedouros de fundos comunitários dos anos 90 - vieram colmatar a ausência da instrução técnica especializada na escola pública portuguesa.
Gastaram-se fortunas para ocultar as deficiências estruturais da estratégia (!) educativa nacional e para quê? E agora, com as Novas Oportunidades, o que está a acontecer?
Há poucos dias ouvi um professor decano dizer que "mais valia comprar umas centenas de impressoras e dar automaticamente os certificados das novas oportunidades aos formandos".
Curioso em saber mais sobre o assunto, fiz um pequeno inquérito oficioso a uma dúzia de funcionários da instituição onde exerço e as respostas oscilaram entre: as formações não servem para nada ou servem para comprar um computador a preços baixos ou para tentar ter uma avaliação mais elevada ou para até mesmo para se distraírem e conviverem uns com os outros na risota (sic). Esta amostra não nos dá uma resposta fiável, é certo, mas pode revelar uma tendência reveladora: esta gente, trabalhadores adultos, é a mesma que tem a responsabilidade de educar as suas crianças, as mesmas que repetem atitudes semelhantes às dos pais em contexto de aprendizagem.
A pobreza não resulta apenas da destituição de recursos materiais mas também- e muito - da falta de espírito e da desinteligência dos indivíduos, tanto em privado como em contexto social.
Aos baixos níveis de qualificação profissional estão ligados os baixos índices de literacia e àqueles a disfuncionalidade individual e a familiar (i. é, a carência sócio-educativa). Por isso mesmo os curricula são fundamentais e devem ser estrategicamente direccionados, seja para instrução dos jovens como para a educação dos adultos. Ao mesmo tempo, a escola pública e o conceito educacional implícito na sua génese deve também ser elaborado em função da população a que se dirige e conforme as realidades sociais e culturais em que se aquela se insere.
Ao contrário do que se quis fazer crer, o paradigma das antigas escolas industriais não significava uma política de castas mas sim uma garantia de que a maioria da população em idade escolar podia adquir a instrução necessária para cumprir um papel activo e construtivo na sociedade assim que terminava a sua instrução escolar. Aqueles que demonstravam empenho e bons resultados podiam naturalmente prosseguir a especialização técnica ou académica dos seus estudos.
De que serve a um jovem que deseja ser canalizador ou electricista estar numa escola que não lhe ensina tais competências mas que o "prepara" para lá permanecer até perfazer - tendencialmente - 12 anos de escolaridade sem aprendizagens que lhe sejam úteis, para de lá sair sem saber exercer uma profissão ?
E aqueles alunos que hoje são indisciplinados, delinquentes ou simplesmente desinteressados da escola? São todos casos excepcionais e cada deve ser tratado pela sua especificidade. Para o feito existem e devem ser reforçadas as equipas técnicas multidisciplinares e desenvolvidas as turmas de reeducação. Mas nada disto pode ser efectivamente alcançado se as relações hierárquicas e disciplinares entre alunos, funcionários e professores permanecerem como estão.
O que não se pode aceitar é que em prol de uma intenção de inclusão de poucos elementos perturbados se provoque a disrupção dos restantes. Uma turma de duas dezenas com 2 ou 3 elementos disfuncionais é seriamente prejudicada no seu funcionamento global, o que nos indica que os custos da suposta inclusão resultam mais na alteração dos elementos funcionais do que na funcionalidade dos elementos perturbados.
Já sei que os defensores da escola inclusiva não apreciam esta tese mas a sua concepção de inclusão parece-me hipócrita e até mesmo cínica desde logo porque permite excluir na prática interrelacional proteccionista muito mais do que permite incluir. Os exemplos são muitíssimos, vão desde das deficiências físicas ou mentais, passando pelas perturbações patológicas do comportamento até à evidenciação das particularidades das etnias ou das nacionalidades. Quando se fazem discriminações positivas faz-se desde logo uma discriminação, seja qual for o eufemismo utilizado na linguagem politicamente correcta.
Por exemplo, a frase Todos Diferentes Todos Iguais, para além de ser paradoxal, revela uma verdade incómoda: a de que na prática das coisas a diferença existe de facto. Não são campanhas publicitárias ou Dias de Celebração que educam os indivíduos que compõem uma sociedade para a aceitação de uma determinada realidade e, simultâneamente, do seu contrário.
Se a base de um Princípio a ser alcançado é o respeito pelo direito à diferença há que garantir o cumprimento de tal direito desde logo no campo institucional (para começar seria bom que os tribunais funcionassem atempada e eficazmente de modo a garantirem o cumprimento dos deveres) sem desprimor que, ao mesmo tempo, se atribuam competências sociais aos cidadãos para o reconhecimento do valor universal intrínseco implícito na obrigação do respeito pelos direitos dos outros e na reciprocidade que inclui um tal dever, factores cruciais para pleno uso dos direitos de cidadania em segurança e em Liberdade.
É certo que sem alguns conceitos de filosofia, ou noções básicas de moral e de ética, direito, sociologia, psicologia, antropologia ou biologia não há consolidação intrínseca de certas competências sociais. Mas também é certo de que, se no contexto familiar, ou social, estiver ausente a aquisição e a aplicação daqueles conceitos e noções é muito provável que tais campanhas politicamente correctas ou as frases bonitas farão ricochete nas consciências endurecidas.
Por conseguinte é desde já crucial que os pais sejam muito mais responsabilizados pela sua própria educação para promoverem a educação dos filhos. Caso não cumpram com o seu papel devem ser-lhes dado hipótese de apoio técnico específico. Se assim mesmo recusarem ou forem notoriamente desplicentes face às suas obrigações de parentalidade, devem por isso mesmo ser exemplarmente punidos. Não existe legitimidade na exigência de Direitos quando à priori não são cumpridos os Deveres.
Assim, no imbróglio em que se tornou a Educação em Portugal, lançar dinheiro e outros recursos sobre o topo duma pirâmide danificada sem intervir estrutural e cirurgicamente na sua base é tão útil como tentar extinguir um incêndio com gasolina.
Quem são os responsáveis por tamanha delapidação dos recursos, cada vez mais escassos, na escola pública que se encontra muito desfasada das necessidades do País? Quando é que se percebe que não é lançando dinheiro sobre as situações que se resolvem tais problemas?
Além da crescente desresponsabilização dos educadores e da permissividade com que tal acontece, onde está, na classe política nacional, o sentido de Estado e de responsabilidade sobre o futuro de Portugal e dos portugueses? Quem foram (e quem são) os responsáveis pelo contínuo declínio da instrução pública portuguesa? Quando é se faz uma discussão nacional séria entre todos os intervenientes (Academias, Associações, Partidos, Ordens Profissionais, etc) e se define uma política de Estado consensual para a Instrução Pública?
Aaah...pois...estou a delirar... o Estado é uma entidade cada vez mais abstracta que abriga no seu seio político e administrativo (para não dizer dentro-e-fora-e-dentro-e-fora-e-dentro-e-fora do seu baixo-ventre impregnado por concupicente alternância partidária) essa mesma gente impune que tantos danos (nos) tem feito ao longo destes anos de regime (pseudo)democrático.
Ainda não perdi a esperança que isto mude (e para melhor) mas, neste pântano oligárquico em que continuamente nos afundamos, não sei muito bem se assistirei a boas mudanças antes de deixar de me importar com o estado da Situação (ou com a situação do Estado).
Não sou professor por escolha pessoal mas, sem mais considerações e porque lido de muito perto (diariamente) com os produtos dos sistemas familiares disfuncionais e com o resultado longitudinal do sistema de ensino público, só posso afirmar que a escola actual serve para pouco ou para quase nada.
A escola Pública actual, resultado de experiências pedagógicas desconexas ao longo de mais de vinte anos, transformou-se num local onde são despejadas crianças e adolescentes na vã ilusão que lá ficam para aprender algo de útil para si e para a sociedade. Trata-se de uma ilusão caríssima paga por todos os contribuintes, mesmo os que não têm filhos a estudar, e para quê?
Os alunos limitam-se a passar o tempo na escola, não sabem estudar, não têm regras nem disciplina, são ignorantes nas ciências e nas letras, não sabem o que é o pensamento crítico, são completamente intolerantes à frustração e desconhecem o que é a planificação, o esforço organizado e a metodologia de trabalho ou a proficiência.
Os poucos alunos interessados e aqueles que querem realmente aprender não têm condições práticas para estudar porque a maioria dos colegas estão desinteressados e são indisciplinados, o que transforma muitas salas de aula em autênticos campos de batalha perante a passividade dos - cada vez mais desautorizados e cada vez menos motivados - docentes.
Por sua vez, os professores estão em larga maioria mal formados para a prática pedagógica; fazem-no em condições para o exercício pedagógico que estão longe de serem as adequadas e sentem-se naturalmente desmotivados para exercer as desajustadas funções que actualmente se lhes exige que cumpram. A isto acresce que os programas (currícula) são paupérrimos, os alunos não sabem estar - entre iguais e com os adultos - porque não têm boa educação em casa e os pais exigem que a escola faça um duplo trabalho - o de educar (papel que pertence à parentalidade) além da função de instruir.
Estamos a assistir à formação de uma geração de miúdos mimados, ignorantes, desumanizados, fúteis e egoístas (e fico-me por aqui porque a responsabilidade não é totalmente deles), a quem é transmitida a ideia de que o sucesso não requer disciplina e esforço, mas sim manipulação, teimosia birrenta ou pedinchice descarada. Uma geração que desconhece que o respeito pelo próximo representa garantias de reciprocidade para si mesmos. Uma geração que pensa ser desnecessária a disciplina pessoal e trabalho organizado para alcançar riqueza ou sucesso. Uma geração a quem foi transmitida a ideia do primado da fama fácil e do exibicionismo como valores prioritários para alcançar um alto status, cujo valor intrínseco se encontra fundamentado na apologia mediática do consumismo materialista. Uma geração que ambiciona muito mais ser Estrela e muito menos saber como ser Líder.
Para reforçar negativamente a bandalheira crescente em que se transmuta a escola pública, a avaliação dos alunos tornou-se ultimamente um alvo fácil de chacota por via do facilitismo oficial e do cada vez mais baixo nível de exigência, escandalosamente apenas para efeitos estatísticos.
Por conseguinte, não admira que os níveis de produtividade nacional continuem condenados à mediocridade pois a maioria dos alunos, para não dizer a totalidade, saí da escola sem saber fazer nada, inclusive sem saber escrever em português, fazer contas básicas ou pensar com racionalidade ou espírito crítico.
As luminárias que acabaram com as Escolas Industriais - e aquelas outras que transformaram os actuais Politécnicos em imitações de Universidades - deviam ser todas processadas pelo Estado e no limite, afastadas de todas as decisões estratégicas nacionais. Aquele enorme erro, mantido durante décadas de políticas erráticas de educação, faz-se pagar cada dia mais caro. Nem os centros de formação profissional ou os cursos de formação para formadores - ambos enormes sorvedouros de fundos comunitários dos anos 90 - vieram colmatar a ausência da instrução técnica especializada na escola pública portuguesa.
Gastaram-se fortunas para ocultar as deficiências estruturais da estratégia (!) educativa nacional e para quê? E agora, com as Novas Oportunidades, o que está a acontecer?
Há poucos dias ouvi um professor decano dizer que "mais valia comprar umas centenas de impressoras e dar automaticamente os certificados das novas oportunidades aos formandos".
Curioso em saber mais sobre o assunto, fiz um pequeno inquérito oficioso a uma dúzia de funcionários da instituição onde exerço e as respostas oscilaram entre: as formações não servem para nada ou servem para comprar um computador a preços baixos ou para tentar ter uma avaliação mais elevada ou para até mesmo para se distraírem e conviverem uns com os outros na risota (sic). Esta amostra não nos dá uma resposta fiável, é certo, mas pode revelar uma tendência reveladora: esta gente, trabalhadores adultos, é a mesma que tem a responsabilidade de educar as suas crianças, as mesmas que repetem atitudes semelhantes às dos pais em contexto de aprendizagem.
A pobreza não resulta apenas da destituição de recursos materiais mas também- e muito - da falta de espírito e da desinteligência dos indivíduos, tanto em privado como em contexto social.
Aos baixos níveis de qualificação profissional estão ligados os baixos índices de literacia e àqueles a disfuncionalidade individual e a familiar (i. é, a carência sócio-educativa). Por isso mesmo os curricula são fundamentais e devem ser estrategicamente direccionados, seja para instrução dos jovens como para a educação dos adultos. Ao mesmo tempo, a escola pública e o conceito educacional implícito na sua génese deve também ser elaborado em função da população a que se dirige e conforme as realidades sociais e culturais em que se aquela se insere.
Ao contrário do que se quis fazer crer, o paradigma das antigas escolas industriais não significava uma política de castas mas sim uma garantia de que a maioria da população em idade escolar podia adquir a instrução necessária para cumprir um papel activo e construtivo na sociedade assim que terminava a sua instrução escolar. Aqueles que demonstravam empenho e bons resultados podiam naturalmente prosseguir a especialização técnica ou académica dos seus estudos.
De que serve a um jovem que deseja ser canalizador ou electricista estar numa escola que não lhe ensina tais competências mas que o "prepara" para lá permanecer até perfazer - tendencialmente - 12 anos de escolaridade sem aprendizagens que lhe sejam úteis, para de lá sair sem saber exercer uma profissão ?
E aqueles alunos que hoje são indisciplinados, delinquentes ou simplesmente desinteressados da escola? São todos casos excepcionais e cada deve ser tratado pela sua especificidade. Para o feito existem e devem ser reforçadas as equipas técnicas multidisciplinares e desenvolvidas as turmas de reeducação. Mas nada disto pode ser efectivamente alcançado se as relações hierárquicas e disciplinares entre alunos, funcionários e professores permanecerem como estão.
O que não se pode aceitar é que em prol de uma intenção de inclusão de poucos elementos perturbados se provoque a disrupção dos restantes. Uma turma de duas dezenas com 2 ou 3 elementos disfuncionais é seriamente prejudicada no seu funcionamento global, o que nos indica que os custos da suposta inclusão resultam mais na alteração dos elementos funcionais do que na funcionalidade dos elementos perturbados.
Já sei que os defensores da escola inclusiva não apreciam esta tese mas a sua concepção de inclusão parece-me hipócrita e até mesmo cínica desde logo porque permite excluir na prática interrelacional proteccionista muito mais do que permite incluir. Os exemplos são muitíssimos, vão desde das deficiências físicas ou mentais, passando pelas perturbações patológicas do comportamento até à evidenciação das particularidades das etnias ou das nacionalidades. Quando se fazem discriminações positivas faz-se desde logo uma discriminação, seja qual for o eufemismo utilizado na linguagem politicamente correcta.
Por exemplo, a frase Todos Diferentes Todos Iguais, para além de ser paradoxal, revela uma verdade incómoda: a de que na prática das coisas a diferença existe de facto. Não são campanhas publicitárias ou Dias de Celebração que educam os indivíduos que compõem uma sociedade para a aceitação de uma determinada realidade e, simultâneamente, do seu contrário.
Se a base de um Princípio a ser alcançado é o respeito pelo direito à diferença há que garantir o cumprimento de tal direito desde logo no campo institucional (para começar seria bom que os tribunais funcionassem atempada e eficazmente de modo a garantirem o cumprimento dos deveres) sem desprimor que, ao mesmo tempo, se atribuam competências sociais aos cidadãos para o reconhecimento do valor universal intrínseco implícito na obrigação do respeito pelos direitos dos outros e na reciprocidade que inclui um tal dever, factores cruciais para pleno uso dos direitos de cidadania em segurança e em Liberdade.
É certo que sem alguns conceitos de filosofia, ou noções básicas de moral e de ética, direito, sociologia, psicologia, antropologia ou biologia não há consolidação intrínseca de certas competências sociais. Mas também é certo de que, se no contexto familiar, ou social, estiver ausente a aquisição e a aplicação daqueles conceitos e noções é muito provável que tais campanhas politicamente correctas ou as frases bonitas farão ricochete nas consciências endurecidas.
Por conseguinte é desde já crucial que os pais sejam muito mais responsabilizados pela sua própria educação para promoverem a educação dos filhos. Caso não cumpram com o seu papel devem ser-lhes dado hipótese de apoio técnico específico. Se assim mesmo recusarem ou forem notoriamente desplicentes face às suas obrigações de parentalidade, devem por isso mesmo ser exemplarmente punidos. Não existe legitimidade na exigência de Direitos quando à priori não são cumpridos os Deveres.
Assim, no imbróglio em que se tornou a Educação em Portugal, lançar dinheiro e outros recursos sobre o topo duma pirâmide danificada sem intervir estrutural e cirurgicamente na sua base é tão útil como tentar extinguir um incêndio com gasolina.
Quem são os responsáveis por tamanha delapidação dos recursos, cada vez mais escassos, na escola pública que se encontra muito desfasada das necessidades do País? Quando é que se percebe que não é lançando dinheiro sobre as situações que se resolvem tais problemas?
Além da crescente desresponsabilização dos educadores e da permissividade com que tal acontece, onde está, na classe política nacional, o sentido de Estado e de responsabilidade sobre o futuro de Portugal e dos portugueses? Quem foram (e quem são) os responsáveis pelo contínuo declínio da instrução pública portuguesa? Quando é se faz uma discussão nacional séria entre todos os intervenientes (Academias, Associações, Partidos, Ordens Profissionais, etc) e se define uma política de Estado consensual para a Instrução Pública?
Aaah...pois...estou a delirar... o Estado é uma entidade cada vez mais abstracta que abriga no seu seio político e administrativo (para não dizer dentro-e-fora-e-dentro-e-fora-e-dentro-e-fora do seu baixo-ventre impregnado por concupicente alternância partidária) essa mesma gente impune que tantos danos (nos) tem feito ao longo destes anos de regime (pseudo)democrático.
Ainda não perdi a esperança que isto mude (e para melhor) mas, neste pântano oligárquico em que continuamente nos afundamos, não sei muito bem se assistirei a boas mudanças antes de deixar de me importar com o estado da Situação (ou com a situação do Estado).
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