
É costume dizer-se que os verdadeiros Amigos reconhecem-se nas horas de aflição, na prisão, no hospital ou no funeral.
Ontem assistiu-se a um acto de coragem do Primeiro-Ministro de Portugal que - em directo através dos media - defendeu sozinho a sua Honra perante um País desconfiado e cada vez mais deprimido.
Quem não deve não teme pelo que, sendo este o caso do actual Primeiro-Ministro e não esta comunicação um movimento de desesperada defesa, fez bem avançar com uma tal exposição pública. Dos seus apoiantes, militantes e boys, obtivemos ao longo dos últimos dias - em larga maioria - uma resposta semelhante à foto acima postada.
Lamentável toda esta situação, que não está isolada da decadência que tem despojado o nosso País, numa multiplicidade de situações, ao longo destes trinta e tal anos de Democracia.
Desde a normalização dos desatinos Revolucionários do pós-25 de Abril, temos tido demasiado acontecimentos extraordinários. Recordo apenas alguns deles:
- Um atentado não esclarecido que vitimou um Primeiro-Ministro e um Ministro da Defesa entre outros inocentes;
- A súbita aparição de um Partido de inspiração presidencial que (felizmente) pouco tempo depois se eclipsou;
- Dois Primeiro-Ministro que abandonaram o País quando estavam em plenas funções;
- Um recente Golpe de Estado Constitucional perante a apatia geral da Nação;
- Dezassete Governos Constitucionais em trinta anos;
- Um declínio acentuado da Soberania e da Independência do País perante a anuência dos Órgãos de Soberania;
- O recente regresso das nacionalizações - e das ameaças de nacionalização - de certas instituições privadas em dificuldades;
- O agravamento acentuado dos graves problemas estruturais e sectoriais do Estado - principalmente da Justiça, mas também da Educação, Saúde e Economia - que requerem necessariamente um alargado consenso nacional e a consequente persistência das estratégias políticas fundamentais à viabilidade do País (sendo cada vez mais óbvio que ambos vectores - estratégia política de consenso nacional e persistência da respectiva práxis - estão demasiado instáveis e têm oscilado conforme as movimentações da alternância bipartidária que nos tem governado desde do advento do actual regime democrático).
Doravante, dizem-nos as elites, a situação seguirá ainda mais a descer. Se isto não é o declínio, inclusive da esperança, o que significa?
Aliás, tudo isto só reforça a minha tese de que se torna cada vez mais evidente que, a partir de meados do último decénio, a III República Portuguesa vive tempos de intensa deterioração dos mais elementares Princípios e de Valores, éticos e morais, - que se tornaram demasiado conturbados para estabilizar sem mais dissabores ou até mesmo uma séria ruptura... Deus queira que me engane. Oxalá assim seja.
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