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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A rainha que veio do gelo


Perante a crise no Cáucaso, a candidata à vice-presidência Norte Americana considera viável a hipótese da OTAN (NATO) declarar guerra à Rússia num eventual cenário de conflito entre o herdeiro do império soviético e os países da sua tradicional esfera de influência, como a Ucrânia e a Geórgia, no caso destes pertencerem à NATO.

Primarismo de análise política à parte, é certo que os Estados signatários da OTAN (NATO) estão vinculados à defesa de qualquer um dos seus aliados caso este seja atacado por um inimigo exterior.

Não é este o caso da Geórgia acerca do diferendo que a opõe à Rússia relativamente à Ossétia do Sul (ou tão pouco à abkhazia), ou seja: nem a Geórgia foi primeiro atacada - mas antes invadiu um território que considera ser parte integrante da nação georgiana (assim como a Sérvia considerava o kosovo)- assim como não faz parte da OTAN (NATO); e se fizesse, o tratado não visa apoiar agressões dos seus membros a outros países mas sim garantir a defesa dos subscritores do tratado perante ataques externos, pelo que nenhum membro estaria obrigado a acudir a uma reacção como foi a da Rússia perante a inicial ofensiva georgiana.

Ora é precisamente segundo o princípio de defesa mútua em caso de agressão exterior que não se justificou a presença de forças da NATO no Iraque, apesar dos aliados europeus terem caído na armadilha de enviá-las para o Afeganistão e para território ex-jugoslavo.

O Kosovo foi a caixa de Pandora que a diplomacia Americana abriu, na cegueira expansionista (político-económica) para a qual arrastou os Aliados. Deste precedente decorre a fragilidade do Direito Internacional quanto ao respeito e à reposição dos direitos de independência e de integridade territorial, por exemplo, da Geórgia; isto para não falar do Curdistão, do Tibete, de vários conflitos fronteiriços ou até mesmo das pretensões independentistas das regiões autonómicas espanholas e portuguesas. Daqui se compreende (e muito bem) a relutância Ibérica em resistir ao reconhecimento da independência kosovar.

Ora, depois de tanta trapalhada na política internacional da superpotência, não bastou que a candidata perdedora dos Democratas tivesse ameaçado obliterar o Irão; agora surge a ambiciosa Rainha do Gelo, autêntico ícone para a extrema-direita americana (e não só), a lançar uma semente para o Armagedão. Isto não é de admirar, já que a própria criatura é criacionista e acredita que o fim do mundo está para breve. Já aqui falei acerca da psicopatia na vida política, pelo que não me irei repetir.

Perante a viabilidade deste futuro assustador, arrisco dizer que a actual Presidência e o seu grupo neoconservador (que fez as guerras Pós-11 de Setembro) poderão, paradoxalmente, vir a deixar saudades. Isto, claro está, no caso de Obama perder as eleições.

São dias tenebrosos, estes que vivemos.

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