Mostrar mensagens com a etiqueta Cosa Nostra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cosa Nostra. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de março de 2010

Máfia, Ndrangheta, Cosa Nostra, Camorra… quando a Face Oculta da Realidade Decadente supera a Ficção!



o video é para escutar enquanto se lê o texto...)


A Operação Mãos Limpas (ou Mani Pulite) foi uma investigação judicial de grande envergadura em Itália que visava esclarecer casos de corrupção durante a década de 1990, na sequência do escândalo do Banco Ambrosiano em 1982, que implicava a Máfia, o Banco do Vaticano e a Loja Maçónica P2.

A Operação Mãos Limpas levou ao fim a Primeira República Italiana e ao desaparecimento de muitos partidos políticos. Durante esse mediático processo alguns políticos e industriais cometeram suicídio quando os seus crimes foram descobertos.

Apesar do sucesso da operação Mãos Limpas no combate à Máfia italiana, sabe-se contudo que a principal motivação desta operação foi a de desviar a atenção da opinião pública das graves denúncias que o dissidente Vladimir Bukovski trouxe dos Arquivos do KGB: provas de que praticamente toda a imprensa social-democrata da Europa tinha sido financiada pela KGB durante a década de 80.

No começo deste caso, as denúncias de Bukovski não despertaram grande interesse, já que prevalecia o pretexto de que não se deveria reabrir "velhas feridas" do passado que colocassem em causa o establishment político de então, além de vigorar também a ideia de que o tema da guerra fria era um assunto superado. Mas à medida que novos dados foram sendo revelados, os jornais passaram a dar mais atenção aos documentos de Bukovski e às suas as graves implicações.

Quando foi revelado que o Partido Comunista Italiano havia recebido directamente pelo menos quatro milhões de dólares da KGB, o Parlamento Italiano foi então pressionado pela opinião pública a realizar uma investigação fiscal a todos os envolvidos. Isso provocou uma fortíssima reacção do Partido Comunista Italiano que, como resposta, convocou juízes que estavam no seu quadro de colaboradores para que organizasse uma campanha de grande repercussão publicitária nos media internacionais, com o objectivo de mudar a estrutura polarizada que tradicionalmente caracterizava a vida política da Itália, baseada na oposição entre regimes democráticos e comunistas.

O resultado foi o descrédito da reivindicação fundamentada no anticomunismo e todos os partidos políticos, com excepção do PCI, acabaram por serem investigados, ao mesmo tempo que a campanha operação "Mãos Limpas" tomou para si, por meio de um intenso esforço propagandístico, o mérito pelo combate a Máfia, uma luta judiciária que já estava a ser efectuada desde a década de 1980.

De notar que, na arriscada batalha efectuada pela Justiça italiana contra as organizações criminosas durante a década de 80, ficaram notórios os trabalhos solitários de magistrados como Paolo Borsellino e Giovanni Falcone, este último realizando o seu valente combate contra a Máfia durante onze anos a partir do seu escritório-fortaleza. Igualmente famoso ficou o testemunho do ex-mafioso Tommaso Buscetta por ser o primeiro "capo" da Máfia italiana a quebrar o código de silêncio (ou a omertà), tornando-se então um pentiti.

Durante a campanha da operação Mãos Limpas, 2.993 mandados de prisão foram expedidos; 6.059 pessoas estiveram sob investigação, incluindo 872 empresários, 1.978 administradores locais e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros.

A publicidade gerada pela operação Mãos Limpas acabou por deixar na opinião pública a impressão de que a vida política e administrativa de Itália estava mergulhada na corrupção com o pagamento de " luvas" para a concessão dos contratos do governo italiano.

A operação Mãos Limpas chegou a alterar a correlação de forças na disputa política italiana, reduzindo o poder de partidos que haviam dominado o cenário político de Itália pós-guerra. Partidos como o Socialista (PSI) e o da Democracia Cristã (DC), foram reduzidos, durante a eleição de 1994, somente em 2,2% e 11,1% dos votos, respectivamente.

Se a situação tentacular italiana está ou não controlada, não é possível afirmar sem uma reflexão mais profunda da realidade económica e política actual...mas sabemos cada vez mais acerca do real carácter do Primeiro-Ministro que está, mesmo apesar do intenso controle exercidos sobre os media locais.

Este ano, espero ainda passar uns magníficos dias na bela península mediterrânica, revendo locais, gentes, a história de um império de outrora. Afinal de contas, bem vistas as muitas semelhanças entre os dois Estados, é quase como estar no meu País.

...