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domingo, 11 de outubro de 2009

The Winner Takes It All



Duas pessoas apaixonam-se. Criam expectativas, fazem planos de futuro, promessas de amor eterno. Vivem dias bons, outros assim-assim e dias maus. A névoa da ilusão dissipa-se pouco a pouco, a paixão esvai-se por entre crescentes mal-entendidos disfarçados de compreensão. O diálogo não as aproxima, instalam-se dúvidas e sentimentos contraditórios. A frustração cresce, às vezes mais num no que noutro. Um dia, um dos dois toma uma decisão e age contra ambos. Faz um gesto radical, diz algo proibido que quebra o elo comum. Dessa agressão à união emerge a ruptura iminente. Há resistência, até negação mas acontece. Surge a tristeza, a desilusão, a revolta, uma tempestade de sentimentos agitadores. Separados, cada um faz o luto da perda por caminhos mais ou menos longos, mais ou menos saudáveis, entre um campo de batalha muitas vezes com destruição afectiva e feridas emocionais. Ficam memórias, perdem-se recordações, reconstroem-se narrativas, saram-se as feridas no ego. Este ciclo geralmente recomeça e repete-se quando não se aprende e se corrige padrões de funcionamento anteriores.

É um percurso comum, com o qual milhões de pessoas se podem identificar. Estas vivências sentimentais, estas histórias vulgares – sejam de paixão sensual, de amarga desilusão, ou outras exaltações emocionais – porque são património comum da humanidade foram, desde sempre na história humana, contadas por prosa, verso e pela música. Foi a contemporânea sociedade de consumo que as massificou por via da indústria POP. E este esquema lírico de promoção à identificação projectiva de um património emocional comum às pessoas, neste caso aos potenciais consumidores, tendo sido usado com sucesso por muitos outros artistas (músicos, pintores, escritores, etc.) foi muito bem aplicado pelos ABBA, há que reconhecer, quer se goste ou não do género.

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