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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mecanismos de Defesa


Os mecanismos de defesa são manobras psicológicas que tentam suprimir pensamentos ou sentimentos desagradáveis ou indesejados, ou lidar com forças exteriores.

Os indivíduos podem utilizar mais do que um mecanismo de defesa e o repertório individual pode mudar com o tempo.

Quanto mais amadurecido é o nível dos mecanismos de defesa do sujeito, maior é a probabilidade de ter um Insight adequado e fazer juízos correctos. Do mesmo modo, quanto mais imaturos ou psicóticos forem os mecanismos de defesa utilizados, menor é a probabilidade de o indivíduo ter Insight e fazer juízos correctos.

Tipos Maturos
Altruísmo
Humor
Sublimação
Supressão

Tipos Neuróticos
Repressão
Deslocamento
Dissociação
Formação de reacção
Racionalização

Tipos Imaturos
Clivagem
Externalização
Idealização
Projecção
Passagem ao acto

Tipos Psicóticos
Negação
Distorção

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

A competição dominada pela inveja ou impotência do Homem em relação ao seu destino

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Caravaggio - Alegoria da luta dos mais novos sobre os mais velhos


Escreveu recentemente Francesco Alberoni que a competição entre pai e filho muitas vezes é dominada pela inveja. Nessa tese, o sociólogo/jornalista projecta e generaliza que as pessoas se identificam mais com quem consideram melhor e mais forte.

Nesta linha de pensamento, Alberoni afirma que “nós identificamo-nos com quem consideramos melhor, mais forte, mais capaz ou mais hábil e queremos ser iguais. Se o amamos, admiramo-lo e consideramo-lo um líder. Se, pelo contrário, prevalece o rancor, invejamo-lo. Gostaríamos que não fosse tão valente, gostaríamos que se enganasse. E, para mostrar aos outros e a nós próprios que valemos mais que ele, caluniamo-lo, denegrimo-lo. E isto pode insinuar-se entre próximos. Surge entre amigos, entre irmãos, entre marido e mulher, colegas (...) quando um é bem-sucedido e o outro não”.

A propósito daquele raciocínio quasi-freudiano, recordemos o Complexo de Édipo: Freud afirmou que o filho varão ama o pai e pretende o lugar deste; admira-o mas ao mesmo tempo está em competição com ele. Segundo a teoria freudiana, aquele antagonismo explica com o desejo do menino em ter a mãe só para si (no caso das meninas, ter o pai só para si competindo desse modo com a mãe, o que se veio a denominar de "Complexo de Electra").

Para nomear a sua teoria acerca do drama encenado tipicamente por pai, mãe e filho, Freud utilizou a história de Édipo Rei, tragédia de Sófocles na qual, resumidamente, o Rei Laio tendo um filho de nome Édipo, resolve consultar o Oráculo para saber o destino e recebe a notícia de que o seu filho seria um dia seu parricida. Sabendo disto, pede a um de seus servos que leve a criança para longe dali e a mate.

Contudo, o servo poupa a vida da criança e leva-a para um lugar distante do reino. Acolhido por uma família, Édipo cresce e, quando adulto, volta ao seu reino de origem.

No regresso às origens, o jovem Édipo mata (por impulso de honra) um velho que encontra no caminho (que na realidade era o velho Rei Laio) e que lhe exigia que aquele jovem lhe desse primazia na passagem. Édipo, desconhecendo a identidade do seu opositor e num acting-out violento, concretiza o trágico destino familiar através do parricídio profetizado pelo oráculo.

Mais adiante no decorrer do enredo, também sem consciência do crime incestuoso, casa com a Rainha viúva Jocasta, sua mãe, que mais tarde compreende quem era o jovem que se fez Rei, e se suicida, não suportando a dor de saber que o seu filho antes perdido, se tornara seu Senhor e amante por tão tortuoso destino.

Não suportando também ele ver a verdade (assim como a consequência éticas e moral da censura social), Édipo comete um acto simbólico dramático ao arrancar os seus próprios olhos. Cego, fragilizado pela culpa e pela dor da consciência dos seus actos, renuncia ao poder e parte para um exílio errante.

A tragédia prossegue na narrativa de Sófocles, mas a essência do Mito foi daquele enredo retirada por Freud para denominar o constructo teórico edipiano.

O que Freud não considerou foi que, originalmente, a tragédia de Sófocles quis mostrar, no âmbito da sua época, a impotência do homem em relação ao seu destino. A inveja, o desejo, o egoísmo, o prazer, a violência, a posse, o medo da morte, a negação da realidade, a arte da fuga, o acto impulsivo, a culpa, a tristeza, a consciência de si, o crescimento doloroso, o ritual e o simbólico, a manipulação, a bondade, a revolta, a dúvida e a repressão, a inocência, a crueldade, a crença e o Divino, a luta pelo poder, a renovação do novo sobre o velho, são inúmeros os retalhos psíquicos e emocionais do imenso manto que cobre o Homem como actor cultural na representação de si face ao prolongamento revisto nos outros.

E isso tem muito mais interesse e explica muito mais daquilo que somos, o que queremos e o que fazemos enquanto Humanos do que os inúmeros e repetitivos padrões de encenação familiar.


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