segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Gregorio Allegri: Miserere Mei, Deus



Miserere mei, Deus: secundum magnam misericordiam tuam. Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam. Amplius lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me. Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper. Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut iustificeris in sermonibus tuis, et vincas cum iudicaris. Ecce enim in iniquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea. Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifestasti mihi. Asperges me hysopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor. Auditui meo dabis gaudium et laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata. Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele. Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis. Ne proiicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me. Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me. Docebo iniquos vias tuas: et impii ad te convertentur. Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea iustitiam tuam. Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam. Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocaustis non delectaberis. Sacrificium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies. Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Ierusalem. Tunc acceptabis sacrificium iustitiae, oblationes, et holocausta: tunc imponent super altare tuum vítulos.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A (nossa Ocidental) Crise do Início do Século XXI

Dia após dia continuo a pensar que a nossa Crise (que será dura e prolongada) resulta de 6 crises simultâneas:


1-Crise política e governativa das últimas duas décadas, com especial ênfase para a década de 2000 (a incompetência das elites, o populismo eleitoral, a ausência da cidadania participativa e a corrupção pagam-se caro);

2-Crise estrutural (a ineficácia da Justiça e a insustentabilidade do modelo social português/europeu ultrapassado pela realidade demográfica);

3-Crise da dívida (o desregramento de endividamento financeiro e o excesso de alavancagem económica de baixo retorno);

4-A desregulação dos mercados do capital e a alta corrupção financeira;

5-Crise da competitividade do Ocidente (a deslocalização dos meios de produção para fora do país e da Europa);

6-Crise da construção Federativa Europeia (incluindo a implementação da moeda única e o desnorte do projecto europeu solidário e comunitário).

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sábado, 15 de setembro de 2012

The Great Euro Crash - 2012



A dívida de nacional está próxima dos 500 mil milhões de euros, mas não estamos sós. Toda a Europa está altamente endividada e prossegue um modelo económico esgotado assim como um sistema de protecção social desfazado da realidade demográfica.

A ascenção global da Pirâmide de Maslow foi mais rápida do que os fundamentos económicos parciais que a suportam. O reajuste perante a realidade emergente será veementemente negado e rejeitado pelos indivíduos e pelas sociedades, mas esse reajuste é inevitável. Apenas a intensidade e durabilidade dos seus danos dependerá da maturidade dos cidadãos e dos seus representantes no debate das soluções menos gravosas para a resolução dos problemas que estão por solucionar.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Good blood, bad blood.

Os maiores inimigos da União Europeia dentro da Europa, toda a gente sabe quem são.
A saída daqueles acontecerá quando (ou se...) o Reino Unido não aderir ao Euro até 2020. Até lá, ainda há imponderáveis cruciais a considerar, entre eles: o ritmo da concretização federalista da Europa, a redefinição do modelo económico/social europeu, a independência da Escócia e a dimensão do trambolhão do Dólar e da Libra.
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Um presente incerto e um futuro adiado


Eis a evolução da nossa Taxa de Fertilidade em 40 anos. Se acrescentarmos a desindustrialização e a deslocalização, a baixa da produtividade e do crescimento, o aumento do endividamento e os custos sociais, temos os ingredientes para a implosão de um modelo de sociedade. A Europa ja teve duas guerras civis no último século...o que será ainda mais necessário para uma União Federal?
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terça-feira, 26 de junho de 2012

Europa prepara mega resgate para Espanha e Itália

Europa prepara mega resgate para Espanha e Itália - Economia - DN


 A ofensiva continua e a Espanha já está sob intervenção, a Itália será a próxima grande economia a titubear até ao dia D...que tarda em chegar.


Vivemos tempos miseráveis, com líderes débeis que atraiçoam as gerações futuras e desonram a memória de Konrad Adenauer, Jean Monnet, Paul-Henri Spaak, Winston Churchill e Altiero Spinelli.

Bem dizia o Poeta: "o fraco Rei faz fraca a forte gente".



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Condenado o deputado do PS que se "apropriou" de gravadores a jornalistas




Representante (paradoxal?) do Partido Socialista na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, LIBERDADES e Garantias, o advogado Ricardo Rodrigues foi hoje CONDENADO a uma pena de multa de 4.950 euros (por se ter "apropriado" dos gravadores de dois jornalistas da revista "Sábado").

 A sentença do tribunal deu como provados os factos da acusação que lhe imputavam um CRIME de ATENTADO à LIBERDADE de imprensa e um CRIME de ATENTADO à LIBERDADE de informação.

ATENÇÃO: o deputado não roubou, apenas se "apropriou"através de "acção directa", como se pode ver no vídeo.

PS: a MultiOpticas ainda faz desconto igual à idade? (sem insinuação a quaisquer testas de ferro em legislação branqueadora de crimes de pedofilia).

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sábado, 12 de maio de 2012

Terra Irada (Fernando Maurício)



Sou filho da terra irada
Nasci no berço do espaço
Fui escravo do deus dinheiro;
Fui tudo, não sendo nada
Em mistura de sargaços
Com oiro de pioneiro

Eu fui um bobo do rei
Comi debaixo da mesa / Migalhas de pão pisado
Sem direitos, reclamei / Direitos prá natureza
De quem nasceu malfadado

Fiz tudo para esquecer
Alimentei-me de dôr / No vinho de desespero
E a revolta fez nascer
No meu peito sofredor / Um hino de posso e quero

Não é balada o meu fado
Nem tenho medo de erguer / Sua bandeira encarnada
Fui menino, sou soldado
E ninguém pode vencer / Um filho da terra irada

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Perder mais tempo ou ganhar o futuro?


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Ontem perdi quase duas horas da minha vida para assistir a um debate na RTP: no “Prós e Contras” o Ministro Miguel Relvas, valentemente frente a uma plateia hostil constituída maioritariamente por Presidentes de Câmaras e de Juntas de Freguesia, explicou as linhas da reforma eleitoral autárquica. Por um lado, uma visão reformista dialogante mas firme na persecução dos objectivos propostos; por outro lado, a resistência de capelas e capelinhas cujos argumentos apresentaram o municipalismo português como expoente máximo da excelência num monólogo absurdo de uma classe que recusa perder os privilégios despesistas, salvo honrosas excepções.

É certo que existem graves assimetrias na organização urbanística do território português. Também é correcta a visão que defende o investimento local, vocacionado já não para o crescimento de infra-estruturas (que além dos custos de construção acarretam despesas de manutenção por longos anos) mas sim para a criação de oportunidades de integração produtiva das novas gerações e para o desenvolvimento de sinergias entre regiões.
Todavia, a estratégia de crescimento aplicada nas últimas duas décadas, seja pelos governos seja pelos municípios, está ultrapassada e tem que ser alterada.

Não quero falar das rotundas nem dos estádios de futebol. Também não quero falar dos altos níveis de empregabilidade autárquica nem dos custos tremendos inerentes à chico-espertice da desorçamentação através das empresas municipais. Nem é relevante discorrer acerca de outros pormenores de distribuição do dinheiro público através dos subsídios atribuídos a uma multiplicidade de associações locais ou das viagens de lazer em veículos camarários proporcionadas a grupos de munícipes (basta ver o Preço Certo para perceber do que estou a falar) ou, já agora, das festas e romarias patrocinadas pelo erário público. Isso aconteceu porque o exemplo vem de cima, e o que veio de cima ao longo de décadas não foi um bom exemplo.

Por conseguinte, o que é urgente agora é reformar hábitos, estratégias, práticas. É difícil executar cortes na despesa e proceder a reformas quando a estrutura administrativa não quer colaborar. Por isso, é de louvar a atitude dialogante de governo, desde que esse diálogo seja efectuado através de uma escuta activa e não resulte em intermináveis discussões, plenas de inflexibilidade e rigidez. O país está numa encruzilhada muito perigosa e o tempo escasseia para Portugal sair desta crise.

O tempo aqui faz a diferença. Isso é compreensível através da história recente: a Grécia conseguiu em 2010 diminuir o seu défice público em cinco pontos, mas esse esforço rápido provocou uma espiral recessiva que a está a levar ao colapso. Esse caminho está provado que não é o correcto.

Ora o acordo que sustenta o empréstimo internacional que nos foi concedido prevê um calendário extremamente apertado e isso constitui um problema, como é fácil de ver através do caso grego. Por isso mesmo é crucial criar condições que propiciem reformas e resultados imediatos de sucesso para que Portugal reconquiste a força negocial e a razão objectiva dos factos de modo a criar a possibilidade de reajustar o espaço temporal concedido para a recuperação económica.

Temos que ganhar tempo para corrigir os desvios que vão ainda ser descobertos. Temos que ganhar tempo para recapitalização dos bancos para não asfixiarmos ainda mais o tecido empresarial produtivo. Temos que ganhar tempo para aplicar medidas sociais que limitem o efeito devastador do desemprego nas famílias. E a médio prazo, temos que inverter a estratégia demográfica porque reside o nosso declínio como nação sustentável.

A nossa recuperação, na minha opinião, só pode ser efectuada no curto-prazo através de 3 caminhos simultâneos: a reforma das instituições, o controlo da despesa pública e o reforço do investimento privado. Os especialistas sabem como fazê-lo: o que é crucial é enfrentar os grupos de interesse instalados e explicar à população qual a situação e a estratégia para superarmos as dificuldades.

No imediato, face às últimas notícias, não é preocupante faltarem poucos meses para reduzir o défice de 8.3%, no 1º semestre, para 5.9% no final do ano de 2011? Não é preocupante o País ter já gasto em 6 meses 70% do que estava autorizado a gastar até ao final do ano? Se fizermos as contas temos que reduzir a despesa em 678 milhões de euros por mês até ao final de Dezembro; então como vamos alcançar estes resultados sem efectuar mais medidas extraordinárias?

Já desperdiçámos muito tempo com o ilusionismo político das últimas décadas. O actual Governo, em apenas 100 dias, iniciou um caminho que devia ter sido percorrido há muito tempo. Agora, encontramo-nos numa situação em que temos de fazer à pressa aquilo que foi antes adiado. Por isso, é urgente agir com racionalidade. Há muitas reformas estruturais a fazer e que não podem ser mais adiadas.

Temos que agir já se queremos ganhar tempo junto de quem nos empresta o dinheiro que agora precisamos e que antes desperdiçámos. Agir agora, com coerência e estratégia, significa não desperdiçarmos mais uma oportunidade.

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Porque no te callas?

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O Ministro do Fomento espanhol teve o descaramento de considerar que a suspensão do TGV em Portugal é uma «má decisão». Todavia, a própria Espanha acabou de suspender o AVE (o TGV espanhol) que funcionava entre Toledo, Albacete y Cuenca «por la escasez de la demanda». A média de passageiros era de 9 (!!!) por viagem quando os estudos fantasiosos “encomendados” previam 2.190 passageiros.

O Ministro socialista espanhol que cuide dos falhanços espanhóis e cale-se sobre as decisões que Portugal tomará para corrigir as asneiras dos anteriores governos socialistas lusos.


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quinta-feira, 24 de março de 2011

Alea jacta est


Os portugueses deixaram-se enganar durante muitos anos. Por isso, e por causa disso, tivemos este último Governo minoritário que, está demonstrado, foi uma total perda de tempo e tornou aquilo que era provável em inevitável.

Os nossos credores não têm quaisquer motivos para serem pacientes ou tolerantes connosco. Nos negócios não há amigos, existem oportunidades! Provavelmente os juros que pagamos - enquanto os tais credores nos emprestarem o dinheiro que necessitamos - vão disparar e os nossos "ratings" vão cair para níveis próximos de "lixo", aliás um caminho já percorrido pela Grécia e pela Irlanda, mesmo salvaguardadas algumas diferenças com estes Países.

O próximo Governo tem que ser um Governo de maioria, preferencialmente alargada; será um executivo tão ou mais austero que quaisquer outros governos austeros anteriores porque, pura e simplesmente, não pode ser de outra forma.

A situação estrutural e a verdadeira financeira do País (ainda por revelar), exigem um desígnio nacional de união - política, económica e social - face ao tremendo "esforço de guerra" necessário para superarmos as gravíssimas dificuldades em que nos encontramos.

Esperam-nos muitos anos de dura sobrevivência e difícil reconstrução. Oxalá estejamos todos à altura das responsabilidades.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Reformas na Suíça com tecto máximo de 1700 euros



Na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo. Para evitar a ruína da Segurança Social, o governo helvético fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros. E assim, sobra dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas.

E por cá, para quando a revisão racional do modelo de sustentabilidade da Segurança Social?

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sábado, 4 de dezembro de 2010

Francisco Sá Carneiro



In memoriam de Francisco Sá Carneiro. A sua ética, honradez, coragem, lucidez política e visão de futuro, 30 anos após a tragédia, fazem muita falta a Portugal.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Medidas imediatas face à crise financeira Portuguesa


Como contributo para o debate, estas são as medidas de excepção que proponho face à crise financeira actual:

1 - Suspensão imediata do Projecto TGV até ao cumprimento dos objectivos previstos no PEC;

2 - Suspensão imediata do novo Aeroporto Internacional de Lisboa até ao cumprimento dos objectivos previstos no PEC;

3 - Aumento do IVA em 1% até ao cumprimento dos objectivos previstos no PEC;

4 - Redefinição do cabaz de produtos essenciais;

5 - Limitação máxima das pensões sociais remuneradas pelo Estado à pensão devida à figura do ex-Presidente da República, com reescalonamento proporcional imediato de todas as pensões actualmente em vigor;

6 – Proibição imediata da acumulação de pensões suportadas pelo Estado com outras pensões provenientes de Instituições públicas ou com participação do Estado, com opção de escolha pela pensão mais vantajosa;

7 - Proibição imediata de remunerações Públicas ou semi-públicas superiores à remuneração do Presidente da República, sem excepções;

8 - Congelamento da aquisição ou da substituição de viaturas alocadas ao Serviço do Estado que estejam aptas e aprovadas pela Inspecção Periódica Obrigatória;

9 - Congelamento imediato de prémios de gestão em empresas públicas ou semi-públicas com prejuízo ou passivo financeiro;

10 - Renegociação das parcerias público-privadas já existentes, com imediata suspensão de todos os contratos não ainda formalizados;

11- Reorganização ou extinção de Serviços e de Institutos públicos com funções semelhantes ou sobrepostas;

12 - Redução de 5% de todas as remunerações públicas com valor bruto situado entre 1500 euros e 1600 euros;

13 - Redução de 6% de todas as remunerações públicas com valor bruto situado entre 1601 euros e 1700 euros;

14 - Redução de 7% de todas as remunerações públicas com valor bruto situado entre 1701 euros e 1800 euros;

15 - Redução de 8% de todas as remunerações públicas com valor bruto situado entre 1801 euros e 1900 euros;

16 - Redução de 9% de todas as remunerações públicas com valor bruto situado entre 1901 euros e 2000 euros;

17 - Redução de 10% de todas as remunerações públicas com valor bruto superior a 2001 euros;
18 - Suspensão do SIADAP durante os anos em que estejam boqueadas as progressões de carreira e as actualizações remuneratórias;

19 - Aplicação imediata das regras aplicadas aos Serviços Centrais da Administração Pública a todos os demais Corpos da Administração Local e Regional, inclusive Autarquias e empresas municipais;

20 – Suspensão imediata da consultadoria e dos estudos exteriores para Serviços do Estado;

21 - Reorganização territorial das 308 Câmaras Municipais e das 4040 Juntas de Freguesias actualmente existentes;

22 -Eliminação dos Governos Civis;

23 - Suspensão imediata dos subsídios públicos a Fundações Privadas;

24 - Revisão das regras para atribuição do RSI, com a implementação de um sistema não remuneratório directo através de um cartão de débito social para aquisição de bens e pagamento por débito de despesas essenciais previamente definidas em função das necessidades do agregado familiar em parceria com entidades parceiras da Segurança Social.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

'Melhor' aluno chegou à faculdade sem acabar o liceu



Programa Novas Oportunidades pode ser usado como 'via verde' para facilitar entrada no ensino superior.





Tomás, 23 anos, chegou à universidade através do programa Novas Oportunidades


«As dificuldades apareceram no ensino secundário, quando a Matemática se tornou uma verdadeira dor de cabeça para Tomás Bacelos. Por mais que insistisse, não conseguia passar à disciplina e os chumbos sucessivos acabaram por fazê-lo desistir da escola sem acabar o liceu.

No ano passado, Tomás Bacelos arranjou a solução ideal para contornar o problema. Inscreveu-se num Centro de Novas Oportunidades em Esposende, frequentou dois módulos (Saberes Fundamentais e Gestão) e em meses conseguiu equivalência ao 12.º ano. Acabou agora por entrar na faculdade, no curso de Tradução, na Universidade de Aveiro, e é oficialmente, segundo as listas do Ministério do Ensino Superior, o aluno com a mais alta nota de candidatura do país: 20 valores.

A questão é que a sua média não tem em conta as notas do secundário - que não terminou - e baseia-se apenas no exame nacional de Inglês, o único que teve de fazer para entrar em Tradução e onde conseguiu nota máxima. Ainda tentou concorrer a um curso de Biologia, fez a prova de ingresso, mas não foi além dos 7,4 valores.

Ao contrário de Tomás Bacelos, todos os jovens do ensino regular tiveram de realizar provas nacionais a várias disciplinas e apresentaram-se a concurso com estas classificações e com as notas do secundário.

O percurso de Tomás e dos restantes alunos não podia, por isso, ser mais diferente. Ainda assim, ele disputou as mesmas vagas e concorreu em igualdade de circunstâncias com os outros. A lei permite-o, mas o jovem, 23 anos, sente que beneficiou de uma injustiça.

"Para mim, foi ótimo. Mas é claro que é bastante injusto porque os outros passam anos a esforçar-se para terem boas médias. Com o Novas Oportunidades, uma pessoa que só tem o 7.º ano pode fazer o 9.º em seis meses e a seguir, em ano e meio, consegue tirar o 12.º. Se tiver sorte, pode passar à frente e tirar o lugar às pessoas que fizeram esse esforço. Conheço quem tenha entrado assim no ensino superior", admite.


Discriminação positiva

Contactado pelo Expresso, o Ministério do Ensino Superior não revelou, até à hora de fecho da edição impressa, quantos estudantes entraram na universidade por esta via, retirando lugares a candidatos do ensino regular. No curso de Tradução da Universidade de Aveiro, onde Tomás Bacelos entrou em primeiro lugar, por exemplo, quatro jovens que também colocaram a licenciatura como primeira opção acabaram por ficar de fora. O último a conseguir entrar teve 14,4 valores de média.

Certo é que a história de Tomás Bacelos está longe de ser a única. "O caso dele só é visível porque tirou uma grande nota no exame. Mas houve outros alunos que entraram da mesma maneira, só que não saltam à vista nas estatísticas", garante António Boaventura, do Centro Novas Oportunidades da Secundária Henrique Medina (Esposende), que Tomás frequentou. "Há uma discriminação positiva destes alunos", reconhece.

O presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, Virgílio Meira Soares, admite que possa haver uma "injustiça", mas rejeita responsabilidades e lembra que os candidatos vindos do Novas Oportunidades também podem acabar por sair prejudicados com esta legislação. Isto porque só concorrem ao superior com uma única nota de exame, sem outras classificações a pesar na média, o que pode prejudicá-los caso a prova não corra bem.

Luís Capucha, presidente da Agência Nacional para a Qualificação e um dos responsáveis pelo programa Novas Oportunidades, recusa comentar as regras de entrada no ensino superior, por não serem da sua competência. Ainda assim, afirma que "não faz sentido aferir a dificuldade de ingresso pelo número de exames exigidos" aos estudantes.


O que diz a lei

Os alunos que concluíram o secundário através de vias de formação que não preveem a atribuição de notas (como os cursos de Educação e Formação de Adultos do programa Novas Oportunidades) e que pretendem aceder à universidade concorrem apenas com as classificações que obtêm nos exames nacionais exigidos como prova(s) de ingresso no curso que querem. Dispensam todos os restantes exames nacionais. A nota que obtiverem na(s) prova(s) de ingresso vale como nota de conclusão do secundário.

Por exemplo, como Tomás Bacelos teve 20 no exame de Inglês, foi-lhe atribuída "administrativamente" essa classificação como média do secundário. Outro regime excecional de ingresso é o que abrange quem tem mais de 23 anos: os candidatos não precisam de ter concluído o secundário e dispensam a realização de qualquer exame nacional. A diferença é que, neste caso, o concurso tem vagas próprias (fora do concurso nacional) e cada instituição fixa os critérios de entrada. ».

Texto publicado na edição do Expresso de 18 de setembro de 2010
Isabel Leiria e Joana Pereira Bastos

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