sábado, 10 de abril de 2010

Pare, Escute, Olhe!

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.



"Pare, Escute, Olhe" retrata uma região transmontana despovoada, vítima de promessas políticas não cumpridas.

Na linha ferroviária do Tua, o comboio viaja para uma morte iminente. Em nome da progresso, a construção da barragem de Foz-Tua, ameaça submergir um património único que faz parte da identidade transmontana.

"Pare, Escute, Olhe", realizado por Jorge Pelicano, venceu seis prémios nacionais, incluindo Melhor Documentário Português no DocLisboa 2009 e o Grande Prémio do Ambiente no CineEco 2009 em Seia.

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Algarve Restaurant Week



No dia 22 de Abril começa a primeira edição da Algarve Restaurant Week.

A essência da Restaurant Week é possibilitar o acesso democrático à restauração, oferecendo a todos o acesso à gastronomia de alta qualidade sob um preço convidativo, tornando acessíveis restaurantes muitas vezes inacessíveis.

Os restaurantes que se vão juntar à iniciativa criam um menu específico (entrada, prato principal e sobremesa), o menu Restaurant Week, uma criação personalizada de cada restaurante para o evento, com novidades ou pratos clássicos das casas, incluindo uma entrada, um prato principal e uma sobremesa.

O Menu Restaurant Week terá um preço fixo de 20 €, com 1 € a reverter a favor de projectos sociais.

Para experimentar (porque estamos em crise e sou remunerado miseravelmente) só seleccionei 4 das quase duas dezenas de restaurantes de alto nível que participam no evento.

Hoje consegui confirmar as reservas para os restaurantes escolhidos : Bistro des Z'Artes, Emo , The Lake Resort e Thai.

Mnham!!!

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Ludopatia ou Jogo Patológico




O jogo patológico, ou ludopatia, é um assunto pouco falado em Portugal. No entanto, a pujança do sector dos jogos legais (e dos ilegais) indicia um número elevado de sujeitos dependentes do jogo ou, quanto mais não seja, de indivíduos com diversos graus de crenças sustentadas pelos pensamentos mágicos implícitos ao acto de apostar em jogos de sorte e de azar.

Mais do que um simples acto de adicção ao jogo por uma parte substancial da população, o próprio Estado autoriza e regula a actividade das apostas porque daquelas resultam lucros fabulosos em impostos. Também os operadores autorizados incentivam abertamente as apostas em jogos de sorte e de azar através de propaganda diária nos media, a qual incluí o reforço ao devaneio sobre a riqueza súbita e limitação da censura social através da publicidade do patrocínio indirectamente oferecido no atendimento a pessoas carenciadas ou com a enfermidade, o que pode ajudar a relativizar o acto de jogar e auxiliar a racionalização da compulsão inerente às diversas tipologias de jogador existentes.

Todavia, nada se perde se efectuarmos uma definição mais clara do problema, porque existem graus elevados de dependência do jogo que vão muito além da raspadinha ou da aposta no Euromilhões.

Por mais que algumas pessoas pensem que um qualquer jogador - seja ele ocasional, regular ou excessivo - joga sem sentido de responsabilidade para consigo ou para com os que dele dependem, de facto, só o jogador patológico padece de um distúrbio de personalidade do tipo Perturbação do Controlo do Impulso tal como sucede na Cleptomania, na Piromania e na Tricotilomania, entre outras perturbações do Controlo do Impulso.

O que leva um jogador a permanecer horas a fio diante de uma mesa num casino ou no bingo, o que o leva a permanecer obcecado com a ideia de vencer uma slotmachine ou a estudar exaustivamente o comportamento de cavalos nos diferentes tipos de terreno para fazer a melhor aposta possível?
A explicação àquelas questões encontra-se no mecanismo compulsivo originado pelo distúrbio de personalidade do jogador patológico. Na base de tal distúrbio estão factores não despiciendos: Perturbação da Ansiedade, ilusão do controlo e imaturidade psíquica, distorções cognitivas, a preponderância de uma falha narcísica e, frequentemente, a existência de uma concomitante Perturbação do Humor, mecanismos de reforço neuroquímico do prazer, entre outros condicionantes.

Poderemos comparar o jogador compulsivo ao dependente do trabalho ou aos dependentes das compras, aos dependentes do sexo, aos dependentes da internet ou a outros tipos de comportamento cada vez mais comuns mas que têm por denominador comum a excessividade dos actos sem aparente capacidade de controlo e com consequências danosas para o indivíduo ou para os outros significativos?

Em certos casos, o jogador compulsivo tem reacções parecidas aos alcoólicos e com os farmacodependentes e não são raros os estudos que defendem a tese de que a ludopatia provoca sensações idênticas àquelas experimentadas por consumidores e dependentes de outras drogas, incluindo o álcool, resultando em consequência do gesto compulsivo o afastamento de outros comportamentos funcionais em variadas áreas da vida, assim como o desenvolvimento da tolerância e do síndrome de abstinência. Neste sentido, estudos neurológicos recentes revelaram que o comportamento de jogar repetidamente cria nos jogadores uma tensão sináptica que activa circuitos cerebrais que provocam o prazer semelhante àquele que resulta do consumo de drogas.

O tratamento, longo e complexo, requer algumas premissas básicas, desde logo o sujeito reconhecer que precisa de ajuda porque perde de facto o controle sobre o seu comportamento quando joga. Após uma avaliação psíquica do paciente e da estratégia psicoterapeutica adequada ao quadro clínico, pode também ser necessário o uso de medicação ansiolítica e antidepressiva concomitante à intervenção psicológica delineada, que pode incluir o recurso à terapia de grupo.

As 3 Fases do jogo patológico

Actualmente definiram-se três fases no jogo patológico:

1 - Fase da vitória: a sorte inicial é rapidamente substituída pela habilidade no jogo. As vitórias tornam-se cada vez mais excitantes e o indivíduo passa a jogar com maior frequência, acreditando que é um apostador excepcional. Um indivíduo que joga apenas socialmente geralmente pára de jogar com a vitória;

2 - Fase da perda: a atitude de optimismo não realista passa a ser característica do jogador patológico. O jogo não sai da sua cabeça e ele passa a ir jogar sozinho. Depois de ganhar uma grande quantia de dinheiro, o valor das apostas aumenta progressiva e consideravelmente, na esperança da obtenção ganhos ainda maiores. A perda passa a ser dificilmente tolerada. O dinheiro que ganhou no jogo é utilizado para jogar mais; em seguida, o indivíduo aposta parte do salário ou a sua totalidade, e depois as outras economias e até dinheiro emprestado;

3 - Fase do desespero: caracterizada pelo aumento de tempo e dinheiro gastos com o jogo e pelo afastamento da família. Um estado de pânico surge quando o jogador se apercebe do tamanho da sua dívida e do desejo em pagá-la prontamente; dá-se o progressivo isolamento de familiares e de amigos, sente cada vez mais a reputação negativa que passou a ter na sua comunidade e, finalmente, instala-se um desejo nostálgico de recuperar os primeiros dias de vitória. A percepção daqueles factores pressionam o jogador e o seu comportamento compulsivo para jogar aumenta ainda mais, na esperança de ganhar uma quantia que possa resolver todos os problemas acumulados. Alguns jogadores podem mesmo utilizar recursos ilegais para obter dinheiro de que precisam. Nessa fase, é comum a exaustão física e psicológica, sendo frequente a depressão e a ideação suicida.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Submarinos: ter ou não ter não é a questão...



A questão naval

A existência e a continuação de Portugal, como nação independente, deve-se bastante ao mar, e às politicas ultramarinas dos governantes portugueses, desde D. João I.

O país sempre teve uma dimensão muito maior que aquela que lhe corresponderia pelo seu tamanho, em termos geográficos, ou pela sua dimensão demográfica.

É o mar que permite a tomada de posições importante no oceano indico, o domínio marítimo daquele oceano e do atlântico sul. Depois de 1640, com o fim da dinastia dos Habsburgos (Filipina) foi o mar, e as alianças então estabelecidas com a Grã-Bretanha, que permitiram a Portugal voltar a reconstruir um império no Brasil, e é o mar que, depois do Brasil, torna possível a comunicação entre as colónias de África, Timor, Macau e a Índia.

Em 1961, a União Indiana, invade o então Estado da Índia Portuguesa, utilizando para o efeito uma parte considerável das suas melhore forças. A Marinha Indiana, equipada com porta-aviões, fragatas modernas e cruzadores, não encontra praticamente oposição, que não a da canhoneira “Afonso de Albuquerque” que é destruída no próprio porto, não sem antes ter resistido e respondido ao fogo inimigo, ainda que, estando em tremenda inferioridade numérica e de capacidade de fogo.

Salazar, pouco ou nada fez. Uma das razões apontadas tem a ver com a sua interpretação do pacifismo de Nehru, o líder indiano. No entanto, teria sido possível evitar o sucedido? A resposta é negativa. A diferença entre as capacidades da Índia e as de Portugal eram de tal forma, que nunca teria sido possível resistir. No entanto, se tivesse existido uma determinação em proceder á defesa, o resultado teria sido muito diferente.

Se, naquele tempo, tivesse sido possível a Portugal colocar um ou dois submarinos nas águas do oceano indico, (independentemente dos problemas logísticos que tal poderia implicar), todo o desenvolvimento da operação teria sido diferente.

A simples existência de um ou dois submarinos no mar, altera o comportamento de qualquer marinha, quando esta faz o planeamento de uma acção.
Desde 1961, não houve nenhuma ocorrência de relevância, onde possa ser demonstrada a utilidade táctica da utilização de submarinos por parte de Portugal, mas isso não implica que por essa razão, os submarinos tenham deixado de ter um enorme efeito dissuasor.

O domínio do Oceano Atlântico e o problema espanhol

A visão norte-americana do mundo, normalmente distorcida por um sistema educativo tão eficiente quanto redutor, implica que, apenas as grandes nações, ou os grandes países têm direito a algum tipo de projecção e importância internacional.

Já durante o período de 1961-1974, os norte-americanos criticavam asperamente a politica portuguesa relativamente a África, mas o seu principal problema, não era que Portugal tivesse colónias, o principal problema dos norte-americanos, era que Portugal, sendo um país tão pequeno, tivesse tanto território.

Considerando esta visão norte-americana, a questão do domínio do atlântico, (que é vital para os Estados Unidos) aparece como um tema de grande importância.
Essa importância está expressa no apoio dado pelos norte-americanos a Espanha, desde que o ditador Francisco Franco, logrou romper o isolamento internacional a que estava votado desde o fim da segunda guerra mundial.

Esse apoio, a Espanha, é também o apoio a uma Espanha que tenha capacidade para controlar a zona marítima que inclui os mares dos Açores, Madeira, Canárias, a costa portuguesa, a costa Africana até Cabo-Verde e naturalmente a costa de Marrocos, além, naturalmente, da costa atlântica espanhola.

Recordemos que apoio dos norte-americanos a Espanha é notório a partir dos anos 60 e estes são alguns exemplos:

1- Fornecimento do porta-aviões “Dédalo”, (arrendado em 1967 e comprado em 1973).
2 - Fornecimento à marinha espanhola dos planos para a construção em Espanha das cinco fragatas da classe “Baleares” (1967 – 1975).
3 – Fornecimento dos cinco contra-torpedeiros da classe “Churruca” (1972 – 1978).
4 - Fabrico em Espanha das seis fragatas da classe americana “Oliver Hazard Perry” (1977 – 1984).
5 – Fornecimento completo dos planos do projecto SCS de navio de controlo marítimo, que resultou no porta-aviões “Príncipe de Astúrias” (1988).
6 – Enormes facilidades concedidas a Espanha, para a construção da versão espanhola do projecto NFR-90 adaptado para as fragatas/contra-torpedeiros da classe “Álvaro de Bazán”, completados com radares e sistemas electrónicos de fabrico e concepção 100% americanos.

É portanto importante realçar que enquanto o exército e a força aérea espanholas evoluíam com a aquisição de equipamentos europeus (tanques franceses AMX, alemães Leopard-II, aviões franceses Mirage e europeus Eurofighter), a marinha espanhola foi “carregada ao colo” pelos norte-americanos durante as ultimas quatro décadas.

A conclusão que se pode retirar é apenas uma: para os norte-americanos o tamanho do país, conta mais que o que quer que seja que defendam os seus dirigentes. Logo, podemos deduzir que em qualquer circunstância futura, em que os interesses de Portugal estejam em oposição aos interesses de Espanha, os norte-americanos acabarão sempre por favorecer a entidade que mais vantagem lhes dará, ou seja Espanha e o domínio espanhol sobre a península e a área marítima que lhe está adjacente.

Portanto, toda e qualquer capacidade que Portugal tenha para defender as suas águas territoriais e a zona económica exclusiva entrará em conflito com a visão compartilhada entre norte-americanos e espanhóis de que é a Espanha que deve ser responsável pela vigilância e controlo das águas portuguesas.

Por conseguinte, a aquisição por parte de Portugal de dois submarinos do tipo U-214, cuja versão para Portugal se chamará U209PN, pode parecer de pouca importância mas de facto não o é.
Os submarinos adquiridos, em primeiro lugar, colocam Portugal à frente de Espanha na corrida para a modernização das suas frotas de submarinos. A Espanha que conta com quatro submarinos da classe Agosta, só estará equipada com submarinos com as capacidades dos submarinos portugueses, alguns anos depois de Portugal ter os seus U-214 operacionais.

Os submarinos U-214, pelas suas características - nomeadamente por serem equipamentos extremamente silenciosos - podem “pairar” debaixo de água, durante semanas, sem serem detectados. Podem, com os seus mísseis, atingir alvos a mais de 100Km de distância, disparando mísseis sem ter sequer a necessidade de virem à superfície.

As armas da Marinha de Guerra Portuguesa, nomeadamente os submarinos U-214, perante o conceito Espanhol segundo o qual as águas portuguesas são de facto suas para controlar, são uma ameaça àquele desejo de domínio.

Ao apresentarmos aos nossos aliados da NATO a compra dos submarinos como um facto consumado (que não deixou, curiosamente de ser criticado em alguns círculos da NATO, alegadamente – e segundo alguma imprensa portuguesa – com ligações ao governo de Madrid) estamos a dizer que esse domínio estrangeiro do nosso mar, não está garantido a ninguém.

Além disso, esta presença no atlântico dá a Portugal uma importância estratégica maior que tenderá a atribuir ao país uma importância que decorre do seu mar territorial e da Zona Económica Exclusiva. Esta importância permite a Portugal ter um peso em termos internacionais maior que aquele que teria pelo seu poder económico, dimensão territorial ou peso demográfico. Ontem como hoje, é o Atlântico que dá razão de ser a Portugal.

Outros cenários

Para além dos equilíbrios estratégicos entre os países ibéricos, e da posição “atlantista” de Portugal face aos Estados Unidos, há outros cenários, onde a utilização de submarinos faz sentido.

Os submarinos, podem ser utilizados em operações mais ou menos secretas, levadas a cabo por Portugal, na defesa dos interesses nacionais e dos interesses dos cidadãos nacionais. A cooperação com os países de expressão portuguesa, em África, e o eventual apoio a Timor-Leste, país cuja independência anda passa por um período de consolidação, são outras áreas onde este tipo de equipamento pode ser de uma importância determinante.

Podemos sempre dizer que, são apenas dois barcos caríssimos, mas a verdade é que, embora sejam apenas dois, a sua manutenção será mais rápida que a dos anteriores submarinos, pelo que a sua disponibilidade será em principio maior. Mas mesmo assim, a importância de possuir este meio com enorme capacidade de dissuasão, é para Portugal de uma importância transcendental.

Só se levantam contra este tipo de equipamento aqueles que nunca estudaram a história de Portugal, não entendendo que em muitas alturas em que a nossa capacidade no mar falhou esteve em causa a continuidade da nação.

E, naturalmente, aqueles, que também por desconhecimento ou incapacidade de interpretar a história não entendem que sempre que nos apresentámos como militarmente mais fracos fomos sempre objectos de cobiças alheias, nomeadamente daqueles que continuam a rejeitar a história e o nosso direito a existir como nação livre e soberana.
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(Este texto, foi revisto e adaptado, mas é da autoria de Paulo Mendonça e foi originalmente publicado em 22.10.2004)

domingo, 28 de março de 2010

Máfia, Ndrangheta, Cosa Nostra, Camorra… quando a Face Oculta da Realidade Decadente supera a Ficção!



o video é para escutar enquanto se lê o texto...)


A Operação Mãos Limpas (ou Mani Pulite) foi uma investigação judicial de grande envergadura em Itália que visava esclarecer casos de corrupção durante a década de 1990, na sequência do escândalo do Banco Ambrosiano em 1982, que implicava a Máfia, o Banco do Vaticano e a Loja Maçónica P2.

A Operação Mãos Limpas levou ao fim a Primeira República Italiana e ao desaparecimento de muitos partidos políticos. Durante esse mediático processo alguns políticos e industriais cometeram suicídio quando os seus crimes foram descobertos.

Apesar do sucesso da operação Mãos Limpas no combate à Máfia italiana, sabe-se contudo que a principal motivação desta operação foi a de desviar a atenção da opinião pública das graves denúncias que o dissidente Vladimir Bukovski trouxe dos Arquivos do KGB: provas de que praticamente toda a imprensa social-democrata da Europa tinha sido financiada pela KGB durante a década de 80.

No começo deste caso, as denúncias de Bukovski não despertaram grande interesse, já que prevalecia o pretexto de que não se deveria reabrir "velhas feridas" do passado que colocassem em causa o establishment político de então, além de vigorar também a ideia de que o tema da guerra fria era um assunto superado. Mas à medida que novos dados foram sendo revelados, os jornais passaram a dar mais atenção aos documentos de Bukovski e às suas as graves implicações.

Quando foi revelado que o Partido Comunista Italiano havia recebido directamente pelo menos quatro milhões de dólares da KGB, o Parlamento Italiano foi então pressionado pela opinião pública a realizar uma investigação fiscal a todos os envolvidos. Isso provocou uma fortíssima reacção do Partido Comunista Italiano que, como resposta, convocou juízes que estavam no seu quadro de colaboradores para que organizasse uma campanha de grande repercussão publicitária nos media internacionais, com o objectivo de mudar a estrutura polarizada que tradicionalmente caracterizava a vida política da Itália, baseada na oposição entre regimes democráticos e comunistas.

O resultado foi o descrédito da reivindicação fundamentada no anticomunismo e todos os partidos políticos, com excepção do PCI, acabaram por serem investigados, ao mesmo tempo que a campanha operação "Mãos Limpas" tomou para si, por meio de um intenso esforço propagandístico, o mérito pelo combate a Máfia, uma luta judiciária que já estava a ser efectuada desde a década de 1980.

De notar que, na arriscada batalha efectuada pela Justiça italiana contra as organizações criminosas durante a década de 80, ficaram notórios os trabalhos solitários de magistrados como Paolo Borsellino e Giovanni Falcone, este último realizando o seu valente combate contra a Máfia durante onze anos a partir do seu escritório-fortaleza. Igualmente famoso ficou o testemunho do ex-mafioso Tommaso Buscetta por ser o primeiro "capo" da Máfia italiana a quebrar o código de silêncio (ou a omertà), tornando-se então um pentiti.

Durante a campanha da operação Mãos Limpas, 2.993 mandados de prisão foram expedidos; 6.059 pessoas estiveram sob investigação, incluindo 872 empresários, 1.978 administradores locais e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros.

A publicidade gerada pela operação Mãos Limpas acabou por deixar na opinião pública a impressão de que a vida política e administrativa de Itália estava mergulhada na corrupção com o pagamento de " luvas" para a concessão dos contratos do governo italiano.

A operação Mãos Limpas chegou a alterar a correlação de forças na disputa política italiana, reduzindo o poder de partidos que haviam dominado o cenário político de Itália pós-guerra. Partidos como o Socialista (PSI) e o da Democracia Cristã (DC), foram reduzidos, durante a eleição de 1994, somente em 2,2% e 11,1% dos votos, respectivamente.

Se a situação tentacular italiana está ou não controlada, não é possível afirmar sem uma reflexão mais profunda da realidade económica e política actual...mas sabemos cada vez mais acerca do real carácter do Primeiro-Ministro que está, mesmo apesar do intenso controle exercidos sobre os media locais.

Este ano, espero ainda passar uns magníficos dias na bela península mediterrânica, revendo locais, gentes, a história de um império de outrora. Afinal de contas, bem vistas as muitas semelhanças entre os dois Estados, é quase como estar no meu País.

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sexta-feira, 26 de março de 2010

O Delta do Nilo está a afundar




A Barragem Aswan High é uma das maiores represas do mundo, no Nilo, no sul do Egipto, construída para controlar a água, armazená-la para tempos de seca e está equipada para fornecer energia hidroeléctrica.

O pior que está a acontecer é a erosão costeira, a subsidência (processo de rebaixamento da superfície terrestre, com amplitude regional a local, por causas tectônicas) e a compactação do solo delta. Durante milhares de anos, o rio Nilo tem, de certa forma, compensado por esses processos naturais, através da apresentação de sedimentos e água fresca.

No entanto, a barragem agora bloqueia os sedimentos mais a montante do Cairo e como resultado, o delta está a afundar. Enquanto isso, o Mar Mediterrâneo deverá aumentar devido ao aquecimento global. Como primeiro passo, o Egipto e as Nações Unidas decidiram lançar um estudo, que deverá durar cinco anos, sobre quais são as medida de prevenção para proteger o delta da invasão do mar.

Os investigadores egípcios apressam-se para conseguir os dados necessários, o governo está ã avançar com uma série de megaprojectos para aumentar a área habitável do país. A iniciativa mais ambiciosa é uma bomba gigante que desvia dez por cento das águas do Nilo para uma região desabitada, no deserto, para criar um novo Delta.


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sábado, 20 de março de 2010

Planeta com Fome - O que o Mundo Come

O livro "Planeta com Fome - O que o Mundo Come" compara 600 refeições na vida de 30 famílias, oriundas de 24 países.

Nas fotos reproduzidas abaixo, repare-se bem na dimensão da família, na dieta alimentar de cada país, no tipo de alimentos colocados em cima da mesa (ou no chão) e no orçamento semanal.


1 - Alemanha: Família de Bargteheide (4 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares.



2 - Estados Unidos da América: Família da Carolina do Norte (4 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: $341.98 dolares.



3 - Itália: Família da Secília (5 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares.



4 - México: Família de Cuernavaca (5 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares.



5 - Polónia: Família de Konstancin-Jeziorna (5 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares.



6 - Egípto: Família do Cairo (12 pessoas).
Despesa com alimentação durante uma semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares.



7 - Equador: Família de Tingo (9 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: $31.55 dólares.



8 - Butão: Família da vila de Shingkhey (13 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares.



9 - Chade: Família do campo de refugiados de Breidjing (6 pessoas).
Despesa total com alimentação durante uma semana: 685 Francos / $1.23 dólares.

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Expresso, 20 de Março de 2010 .
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terça-feira, 9 de março de 2010

Woody Allen - Whatever Works



Um filme muito divertido, mesmo quando Woody Allen repete a sua fórmula habitual: o sarcasmo e a ironia ao serviço do Humor sobre a natureza humana de uma certa civilização ocidental contemporânea.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Células estaminais podem reparar defeitos ósseos

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A nova Medicina regenerativa é uma esperança terapêutica que pode tornar obsoletas as cirurgias radicais, tais como a da Prótese da Cabeça do Fémur da foto abaixo ...


Um Estudo publicado no "Tissue Engineering":

As células estaminais do sangue do cordão umbilical podem ser utilizadas na reparação de defeitos ósseos causados por traumatismos, infecções, tumores ou malformações congénitas, demonstrou um estudo publicado no "Tissue Engineering".

O investigador Rui L. Reis, da Universidade do Minho, director do grupo 3B´s e do Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa e um dos membros do corpo editorial da publicação, afirmou que o estudo teve como objectivo testar "a capacidade de diferenciação osteogénica (em células ósseas) e de formação de osso".

Num estudo realizado pelo laboratório do Shanghai 9th People's Hospital, na China, e liderado por Yilin Cao, a diferenciação foi feita "a partir de células estaminais mesenquimais de sangue do cordão umbilical, um tipo de célula que se pode transformar, por exemplo, em osso, cartilagem ou gordura".

"Os resultados provam o que eu e outros investigadores temos dito: há que olhar para o futuro e não só para as actuais aplicações das células do cordão umbilical no tratamento de doenças sanguíneas, ao pensar na criopreservação", acrescentou o investigador.

Rui Reis relembrou que o laboratório do Instituto que dirige, sedeado no Avepark, em Guimarães, e que é líder europeu na área de engenharia de tecidos ósseos, "chegou a resultados semelhantes aos destes conceituados investigadores chineses com quem até colabora".

"Temos obtido, e publicado, excelentes resultados com suportes de origem natural e células estaminais de diversas origens, nomeadamente do cordão umbilical, gordura e fluidos amnióticos", revelou.

De acordo com o investigador, os estudos demonstram que "há no cordão não só células hematopoiéticas, mas também, como aqui foram estudadas, células mesenquimais (células multipotentes que são abundantes nos tecidos conectivos e se podem diferenciar em diversos tecidos) com um enorme potencial".

Num futuro próximo, como sempre afirmei, estas células não servirão só para tratar síndromes e deficiências ligadas a doenças sanguíneas, mas também para regenerar tecidos, curar diversas patologias e solucionar situações traumáticas", concluiu.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira: Um desastre já anunciado há dois anos (Versão 5 Minutos)



Passo a citar ipsis verbis o Semanário Expresso on-line:

«Em 2006, um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro apresentou no 10º Congresso Nacional de Geotectina, em Lisboa, um estudo sobre as consequências da construção excessiva no concelho do Funchal, desde o aluvião registado em 1993.

Intitulada "Impacte Ambiental Provocado pela Construção subterrânea na baixa citadina do Funchal", a investigação desenvolvida por João Batista Silva, Fernando Almeida e Celso Gomes, chama a atenção para "a crescente construção na baixa citadina do Funchal".

Para os académicos, "o estreitamento e ocupação dos leitos das ribeiras conduziram à impermeabilização do solo e subsolo, que tem vindo a danificar o património edificado, e que representa um perigo crescente face à possível ocorrência de cheias".

Os especialistas, que foram apelidados de "cientistas loucos" pelos governantes madeirenses, sugeriram então seis medidas "para minimizar os efeitos das aluviões":

1 - Recuperação da floresta indígena (Laurissilva) nas zonas montanhosas e nas cabeceiras dos principais cursos de água para aumentar a infiltração de água e combater a erosão dos solos;

2 - Planeamento do território que envolva a gestão integrada dos recursos hídricos;

3 - Identificação, caracterização, controlo e monitorização do movimento de depósitos nas ribeiras, que possam dar origem a escorregamentos e/ou correntes de lamas;

4 - Remoção de vegetação, materiais geológicos e entulhos e lixos do leito das ribeiras;

5 - Definição de um modelo hidrodinâmico capaz de prever em tempo real a ocorrência de cheias na baixa citadina e gestão dos canais de escoamento;

6 - Elaboração de cartas de risco de cheias (Aluvião) que tenha em conta para uma dada área as condições geológicas, geomorfológicas, pedológicas e hidrológicas.»



Errando, corrigitur error.

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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Madeira

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Foto tirada em Agosto de 2009.


Ontem, 20 de Fevereiro de 2010, vimos assustadoras imagens das consequências de uma calamitosa tempestade que se abateu sobre o arquipélago da Madeira.

Esse excepcional temporal provocou dezenas de mortos e desaparecidos, centenas de desalojados e enormes perdas materiais na nossa paradisíaca ilha, local que tanto gostei de visitar em Agosto de 2009.

Estou desolado com esta chocante desgraça e solidário com os nossos compatriotas madeirenses neste momento trágico para tantas famílias e difícil para todos aqueles que foram prejudicados pelo tremendo temporal.

Passada a catástrofe, há que auxiliar as vítimas a refazer as suas vidas, reconstruir o que foi devastado, planear adequadamente a florestação assim como o urbanismo do território para prevenir tamanhos danos e reduzir riscos futuros quando ocorrerem outros fenómenos meteorológicos extremos.

Ânimo, caros amigos!
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

O jovem e o velho

Olhando esta foto do jovem com a execrável farda nazi, e sabendo da posição que o mesmo ocupa hoje na hierarquia da Igreja Católica, recordo-me quão actual continua sendo a mensagem de Jesus: "Quem de vós está isento do pecado, atire a primeira pedra!" .

Quando em Maio este homem nos visitar é importante recordar: benedictus qui venit in nomine domine .

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Liberdade de Expressão




Por casualidade assisti hoje num programa da RTP1 – creio que se chama Notas Soltas - o socialista António Vitorino defender o indefensável num esforço racional traído pela linguagem do seu corpo: as expressões de desagrado, de medo, irritação, ocultação, numa face intensa e subitamente ruborescida assim que lhe foi colocada a primeira pergunta sobre a trapalhada das escutas recentemente reveladas.
Fez claramente um frete e bateu-se honrosamente no papel que lhe cabe argumentando com a convicção forçada de quem não deseja trair os seus. Não me convenceu nisso mas, sem evidências que provem o contrário, continuo certo que é uma pessoa com mais dignidade do que aqueles que se dispôs defender.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Doentes em coma vegetativo conseguem comunicar


Foi publicado no New England Journal of Medicine um estudo no qual participaram investigadores da Universidade de Lièje, na Bélgica, e Cambridge, no Reino Unido onde se descreve que um homem que estava em estado vegetativo desde há cinco anos conseguiu comunicar e responder “sim” e “não” usando unicamente a sua mente.

A equipa de investigadores desenvolveu um novo método que permite a pacientes em estado vegetativo, comunicarem com o mundo exterior por meio de novas tecnologias de scanner cerebral.

Em 2003, o homem de 29 anos, cuja identidade não foi revelada, sobreviveu a um grave acidente de trânsito mas ficou sem se poder mexer ou falar, num estado considerado vegetativo. A sua actividade cerebral foi examinada graças à técnica de Imagem por Ressonância Magnética Funcional (IRMF), enquanto respondia a questões simples como: “O nome do seu pai é Thomas?”. Os investigadores conseguiram perceber que eram activadas as mesmas áreas do cérebro que no indivíduo saudável.

Entretanto, a experiência foi realizada em mais 23 pacientes em coma, dos quais quatro deram sinais de consciência, de onde se conclui que esta técnica é um avanço importante porque tem o potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes mas não demonstra que todos os pacientes em estado vegetativo têm actividade cerebral relevante.

Note-se que há dois meses atrás foi noticiada a história de Rom Houben, um belga vitimado por um acidente de viação que se julgava estar em estado de coma durante 23 anos, mas que mais tarde se veio a provar que durante todos esses anos tinha plena consciência do que acontecia ao seu redor, o que reforça a importância da pesquisa nesta área de investigação.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mecanismos de Defesa


Os mecanismos de defesa são manobras psicológicas que tentam suprimir pensamentos ou sentimentos desagradáveis ou indesejados, ou lidar com forças exteriores.

Os indivíduos podem utilizar mais do que um mecanismo de defesa e o repertório individual pode mudar com o tempo.

Quanto mais amadurecido é o nível dos mecanismos de defesa do sujeito, maior é a probabilidade de ter um Insight adequado e fazer juízos correctos. Do mesmo modo, quanto mais imaturos ou psicóticos forem os mecanismos de defesa utilizados, menor é a probabilidade de o indivíduo ter Insight e fazer juízos correctos.

Tipos Maturos
Altruísmo
Humor
Sublimação
Supressão

Tipos Neuróticos
Repressão
Deslocamento
Dissociação
Formação de reacção
Racionalização

Tipos Imaturos
Clivagem
Externalização
Idealização
Projecção
Passagem ao acto

Tipos Psicóticos
Negação
Distorção

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Mais cavalos abatidos a tiro em Portugal




Para quando soluções eficazes que previnam mais crimes assim?

O Ministério do Ambiente e os Directores dos Parques Naturais em causa devem desenvolver imediatamente medidas de urgência para:

1) Sensibilizar os habitantes dos Parques Naturais para a protecção activa da Natureza;
2) Fornecer gratuitamente material de protecção às culturas (fios eléctricos de baixa voltagem alimentados por baterias habitualmente usados como "cercas invisíveis"no pastoreio, dispositivos de alarme sonoro, etc);
3) Agilizar e simplificar o mecanismo de indemnização face a prejuízos provocados por animais protegidos;
4)Reforçar a vigilância da deslocação dos cavalos e colocar no Inverno dispositivos de distribuição de feno em locais afastados das zonas agrícolas;
5)Coordenar com as Associações de Criadores formas eficazes para controlar o efectivo sustentável de animais em estado selvagem;
6) Investigar seriamente os infractores com auxílio da Polícia Científica e punir severamente os responsáveis indiciados por este tipo de carnificina.

Mexam-se!!!
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Saiba como ajudar o povo do Haiti - JN


Saiba como ajudar o povo do Haiti - JN

Cruz Vermelha e Cáritas lançaram campanhas de angariação de fundos a favor do Haiti. Sem sair de casa, basta ter um computador e ligação à internet para ajudar os haitianos.

Os donativos para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa - apelo vítimas do Haiti - podem ser realizados nas caixas multibanco ou através de 'netbanking', na opção 'pagamento de serviços', marcando 20999 na entidade e 999 999 999 na referência.

Poderá ainda ser feito um depósito ou transferência bancária para as contas CVP - Fundo de Emergência, disponíveis em nove instituições bancárias ou através de um cheque ou vale postal pagável à CVP - Fundo de Emergência, Departamento Financeiro da Sede Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa (Jardim 09 de Abril, n.º1 a 5, 1249-083, Lisboa).

Tambéma Cáritas Portuguesa, que enviou já cinco mil euros de apoio financeiro, tem em marcha uma campanha de angariação de fundos a favor das vítimas do Haiti.
A organização convida todos aqueles que quiserem contribuir a "fazer o seu donativo na conta «Cáritas Ajuda Haiti», com o NIB 003506970063000753053, da Caixa Geral de Depósitos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Liberdade de voto QUASE total no PSD



Um comentário sobre a proposta para o referendo à Lei sobre o Casamento de Pessoas do Mesmo Sexo:

Quando foi assinado o Tratado de Lisboa, onde perdemos a pouca Soberania Nacional que ainda tínhamos, quase toda a gente achou normal que não houvesse referendo e não ocorreu grande celeuma sobre o assunto.

Todavia, numa matéria que diz respeito à correcção legítima da discriminação e da desigualdade sociais (que ao fim e ao cabo tem que ver com a vida privada de alguns e com o reconhecimento dos direitos civis que têm sido negados a pessoas diferentes da maioria num particular e específico aspecto da sua vida pessoal) já alguns servos de uma certa moral e bons costumes clamam “Ai Jesus!” e tocam a rebate para que a decisão sobre tal matéria deva ser dada ao (seu) povo sobre um assunto que a esse tal povo não diz respeito.

Contudo também sucede que o tal povo dos servos de uma certa moral e bons costumes pertence ao mesmo Povo que votou em Setembro em programas políticos que foram a sufrágio e, desse modo, elegeu os legisladores que se comprometeram para com uma determinada agenda política que incluía o assunto do casamento civil para pessoas do mesmo género.

Seja qual for o resultado legislativo sobre esta temática, a realidade é que o tal povo dos servos de uma certa moral e bons costumes (e todos aqueles que concordam com o seu paradigma de vida) irá continuar a proceder como sempre procedeu já que, haja ou não haja aprovação legislativa sobre os casamentos civis de pessoas do mesmo género, nenhum dos seus direitos milenarmente adquiridos lhes será negado. Esse mesmo povo de servos de uma certa moral e bons costumes pode continuar a casar e a procriar como antes, porque o reconhecimento dos direitos de uns não interfere (nem deve poder interferir) nos direitos de outros.

Mas se o tema do referendo é assim tão crucial e a democracia referendária lhes é (agora) tão querida, porque não propuseram também referendar um assunto que a TODA a população casadoira diz directamente respeito? Porque não referendar o Casamento Tradicional, por este ser uma das instituições mais desacreditadas da sociedade contemporânea?

Pois não é que nessa tradição milenar a questão fundamental tende actualmente a traduzir-se cada vez mais em saber após o casamento tradicional quando é que o divórcio irá ocorrer? Seria interessante debater esse assunto e acerca dele ouvir a opinião do Povo. Vá, haja coerência e coragem!

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Actualização: Com a votação histórica do dia 8 de Janeiro de 2010 pela igualdade de direitos dos cidadãos homossexuais (i. é, pela igualdade de direitos de todos os cidadãos) e após as dezenas de declarações de voto ( que lembram muito justificações de mea culpa) feitas pelos deputados que votaram SEM LIBERDADE DE VOTO aquilo que as direcções partidárias sinalizaram como "adequado", fica provado que a democracia representativa tem muito caminho para percorrer.

Ficou também claro que o resultado em favor de mais igualdade e menos discriminação entre cidadãos seria mais expressivo, com contributos favoráveis de todas as bancadas, não fora as condicionantes emanadas pelas direcções partidárias condicionarem a expressão individual dos deputados. ........ Béééémmmm....

No fundo, estes acontecimentos são o início de um processo, não é o fim desta questão de cidadania até porque a proposta que foi aprovada não consagra a total igualdade de direitos, o que ética e constitucionalmente suscitará justas objecções.

Também haverá uma continuada reacção conservadora carregada de ignorância e de muitos golpes baixos, plenos de estereótipos e ódio, até que sejam vencidos muitos preconceitos básicos e crenças irracionais. Foi assim quando se decidiu a abolição da escravatura ou o direito de voto para as mulheres, entre muitos outros exemplos históricos que actualmente parecem direitos óbvios e adquiridos mas que, no calor do debate de então, foram alvo de argumentos na forma e conteúdo muitíssimo idênticos aos que são usados hoje neste tema.

Todavia, a razão e a civilização prevalecerão no final.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Scanner corporal nos aeroportos



Os aeroportos britânicos vão ser gradualmente equipados com scanners de corpo inteiro para reforçar os controlos de segurança.

Sobre esta medida que permite a visualização integral da nudez dos corpos através de um scanner disse o Primeiro Ministro Inglês Gordon Brown: "Primeiro, vamos aos poucos introduzir scanners nos aeroportos. Haverá controlos para detectar quaisquer vestígios de explosivos na bagagem de mão e os passageiros em trânsito também serão submetidos a um controlo".

A transportadora aérea britânica confirmou posteriormente que começará a instalar um scanner no aeroporto londrino de Heathrow (o maior do país), mas não especificou que passageiros terão que passar pelos aparelhos, nem se serão instalados em outros locais.

Países como Holanda e Itália também já manifestaram a intenção de introduzir scanners corporais nos aeroportos do país.

Contudo, uma vez que o aparelho mostra em detalhe o corpo nú das pessoas, esta aplicação tem sido rejeitada por organizações de consumidores que alegam uma violação da privacidade.

Pouco a pouco sob maior controlo, com a justificação do aumento da segurança e do bem comum, os cidadãos perdem gradualmente, e sem protestar, direitos básicos individuais e de cidadania.

Desde das políticas proibicionistas (fumar, comer, beber, etc) até aos instrumentos de controlo (cartões disto e daquilo, certidões, licenças, discursos e atitudes politicamente correctas, chips electrónicos, etc) ... se alguns ingénuamente pensam que o TOTALITARISMO só ocorre em Ditaduras Fascistas ou em Regimes Comunistas, começam agora a aprender como o regime de extensão do poder do Estado a todos os níveis e aspectos da sociedade (i.é, o Totalitarismo) se manifesta, cada vez menos insidiosamente mas muito mais hipócrita e descaradamente, na Democracia Consumista.

Parece-me que, a tomada de consciência, se ocorrer, vai ser dolorosa e tardia.

Ocorrem-me neste momento dois livros premonitórios:

- "1984" , escrito por George Orwell em 1949;
- "O Admirável Mundo Novo", escrito por Aldous Huxley em 1931.

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domingo, 27 de dezembro de 2009

A moda do empratamento ou a tradicional Travessa?




A propósito de uma potencialmente saborosa prenda de Natal que recebi - uma refeição no famoso Restaurante Tavares - faço hoje uma postagem que não desmerece essa futura experiência como excepção à regra mas que me afasta desta moda contemporânea do empratamento.

Assumo: como apreciador da boa gastronomia e até mesmo como aprendiz de feiticeiro das artes mágicas culinárias, por regra, eu prefiro a tradicional travessa. Só excepcionalmente numa experimentação gastronómica de texturas, aromas e sabores, tolero a apresentação por empratamento.

Por isso, transcrevo aqui uma passagem do Miguel Esteves Cardoso que traduz com graça uma aversão semelhante.

"Se há coisa que abomino é esta prática de levar com tudo já empratado. Os chefes contemporâneos deliciam-se a empratar cada criação de maneira igual, com as mesmísssimas quantidades e disposições, obrigando-nos a suportar a estética duvidosa e pseudo-artística que os anima.

Para mais, é sempre o mesmo prato gigante, com a mesma monótona lógica dos ponteiros do relógio, as torrezinhas dos ingredientes já determinadas; os mesmíssimos esguichos ridículos de molhos; as lâminas atravessadas de cebolinho; os salpicos pirosos de ervilhas e sei lá que mais.


(...)Nos restaurantes de vanguarda, são os próprios empregados que transmitem as instruções do chefe acerca da ordem e da maneira correcta de comer o metafórico prato: «Primeiro dá uma trinca no gelado de carapau; depois mistura uma colher de espuma de escabeche na boca; dá um golo deste vinho e, quando estiver prestes a engolir, levante a cabeça que dar-lhe-ei uma bombada de maresia de ostras no focinho.»

É caso para telefonar imediatamente para a Liga Anti-Nazi. Hoje em dia, com a insuportável prepotência dos novos chefes, a margem de liberdade do pobre almoçador regressou aos níveis de autonomia que tínhamos com três anos de idade."

in , Em Portugal Não se Come mal, Miguel Esteves Cardoso, 2008, Assírio & Alvim.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ágora



Fui ver esta produção espanhola e fiquei surpreendido pela positiva.

Também me fez pensar, uma vez mais, que os Homens constituem uma espécie dita racional mas de facto pouco permeável à compreensão de perspectivas divergentes e resistente à tolerância das diferenças.

Imersos por milénios de Cristianismo, Judaísmo e Islamismo aparentam bom senso e fraternidade mas persistem sendo emotivos, egoístas e cruéis. Tal como os calhaus submersos são estanques à água, apesar de molhados por fora pelo evoluir da civilização, permanecem duros e secos por dentro.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Debates há muitos, a honestidade democrática é que rareia


A propósito de um anúncio de um suposto debate na Universidade do Algarve intitulado

«Capelania da UAlg promove debate sobre Casamento entre pessoas do mesmo sexo

Hoje, pelas 18h00, a Capelania da Universidade do Algarve, em colaboração com a Plataforma Algarve pela Vida, realiza um colóquio subordinado ao tema «Casamento entre pessoas do mesmo sexo: referendo e problemática». O evento decorre no anfiteatro Teresa Júdice Gamito, no Campus de Gambelas.

O tema, de grande actualidade, terá como oradores Jorge Bacelar Gouveia, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, e Luís Seabra Galante, advogado especialista em direito matrimonial-canónico, radicado há já muitos anos no Algarve.»



Comentário adicional de um Social-Democrata, Cristão e Académico:

- Debater, com honestidade intelectual e equilíbrio entre as partes é saudável. Defendo sempre esse princípio. No entanto, organizar uma reunião para debater temas complexos com oradores parciais, sobre o patrocínio de organizações radicais que têm objectivos ideológicos bem definidos e fundamentalmente contrários ao que é anunciado, não é honesto e muito menos me parece um gesto democrático.

Não me surpreende que a Capelania da Universidade do Algarve, organização da Igreja Católica Apostólica Romana, patrocine um suposto debate deste género, que na verdade mais não é uma tentativa reaccionária de promover apoios para um Referendo (intrusivo das liberdades individuais) que visa objectivamente a recusa do reconhecimento de direitos de liberdade e de cidadania entre adultos que consentem; nem me surpreende igualmente que a "Plataforma Algarve Pela Vida" continue a sua egocêntrica, frustrante e radical acção de intromissão no Direitos dos outros que não pensam nem agem tal qual como eles, tal como já fizeram no referendo sobre a IVG.

O que surpreende é que uma Instituição Pública como a Universidade do Algarve patrocine ou apoie uma acção política conservadora e de direita radical, despudoradamente falsa e manipuladora porque assenta sobre pressupostos desde logo enganosos.

Um debate pressupõe equilíbrio no contraditório e não a parcialidade descarada dos debatentes, ainda por cima quando esse suposto debate mais não é do que um quase comício para a recolha de apoios que permitam a viabilização de um referendo sobre um tema que, tendo pertencido já a programas eleitorais entretanto sufragados nas últimas eleições, será em breve legitimamente votado no local próprio - a Assembleia da República.

Apoiar um embuste é uma vergonha para qualquer cientista ou para um democrata que se preze e eu lamento profundamente que tal assim tenha ocorrido nas instalações da Universidade do Algarve.

A Universidade do Algarve, tal qual já antes elegeu de facto representantes aos seus orgãos máximos por via de um plebiscito sobre uma lista única (isso sucedeu na eleição dos representantes dos funcionários ao Conselho Geral da Universidade), parece estar vezes demais alheia ou desatenta aos mecanismos básicos da Democracia que ocorrem na sua própria casa. E quando as elites, elas próprias, transgridem ou permitem que tal aconteça e até mesmo ignoram o que é essencial não é de admirar que tais práticas possam vir a ser impunemente generalizadas como acção comum na restante sociedade, mais cedo ou mais tarde.

Pela gravidade do acima exposto, peço desde já perdão às gerações futuras.


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Toscânia Lusitana



Uma viagem pelo Alto Alentejo a partir de Évora, pode ser uma experiência repetível sem se tornar monótona.

Desta vez, a partir de Évora, fomos até à inexpugnável Marvão, explorámos as trágicas ruínas do Castelo da Juromenha, deambulámos por Elvas, Alandroal, Alvito, Campo Maior, Avis e Estremoz.

Visitámos a Coudelaria de Alter e o Fluviário de Mora; a primeira é merecedora de uma estada demorada, o segundo mais adequado para regressar com os petizes.

Uma viagem pelos Castelos de encantar de Vilas e Cidades fortificadas no alto de colinas e montes vigilantes sobre terras a perder de vista, paisagens coloridas por magníficas tonalidades outonais.

Um guloso roteiro gastronómico regado com vinhos encorpados e sublimes. Este Alto Alentejo é uma pérola por redescobrir sempre. É a nossa Toscânia Lusitana.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sir Norman Fry Public Appology



Quantos Sir Norman Fry temos no parlamento português?
O que fundamenta o seu sentido de voto? A coerência? A ética? A moral? A hipocrisia? O vazio de ideais? Não interessa. Interessa é que o humor inglês é superior, de facto.

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

O que se diz acerca do Clube Bilderberg ?




Existe um clube formado pelas maiores fortunas e por personalidades poderosas do planeta, cujas reuniões anuais, bem longe dos olhos da multidão, pretendem influenciam os grandes acontecimentos do planeta.

Existem também disponíveis várias publicações e relatos que sugerem que este clube tanto promoveu a ascensão dos Beatles e da lucrativa indústria da música pop em geral, como agiu com firmeza para definir o resultado das eleições norte-americanas que elegeram o Presidente George Bush.

A revisão da literatura existente permite ainda identificar fontes que referem que o comércio internacional de drogas e de armas (que levou quase uma década para desvendar) ou a história real por trás da crise Watergate que retirou do poder um presidente eleito legitimamente ou a verdade da tentativa de assassinato do papa João Paulo II ou até mesmo a repentina morte do seu antecessor, o Papa João Paulo I, são acontecimentos reescritos para a história pública por directa influência daquela associação restrita.

A organização Clube Bilderberg, fomentada há 52 anos pelo Príncipe Bernard da Holanda, existe de facto. Isso é incontestável. Nela constam os presidentes dos EUA vivos, os dirigentes das multinacionais Coca-Cola e Ford, do Banco Mundial, do FMI, da NATO, da OMC, da ONU, diversos primeiros-ministros, representantes de várias casas reais europeias e dos mais influentes meios de comunicação; inclui nomes como Henry Kissinger, Rockefeller e Rotschild, além de outros nomes da alta finança e do poder secular, entre os quais se incluem políticos em ascensão (ou que poderão vir a ser peças-chave para a estratégia bilderbergeriana).

Parece tratar-se de uma sociedade semi-secreta, aristocrática e global, que ambiciona orientar não só os governos mais poderosos do mundo mas também influenciar os rumos de todos os sectores da vida sobre a Terra. Os indivíduos do Grupo Bilderberg são um grupo de pessoas poderosas que se reúnem uma vez por ano, sob a protecção de membros da CIA, da Mossad, do MI6 britânico e de empresas de segurança da mais alta competência.

A estratégia de contra-informação que envolve a sua segurança dá azo às mais disparatadas hipóteses, incluindo as que confundem os Bilderbergers com os Illuminati ou a que postulam que os antecessores dos Bilderbergers foram os autores do Priorado de Sião e outras dislates do género literário. De facto, analisando as listas de participantes nas reuniões do clube, a composição desta sociedade é bem mais simples, sendo constituída por uma rede de poderosos interesses comerciais, bancários e políticos.

A sua estrutura parece muito semelhante ao modelo oligárquico financeiro da Veneza medieval conhecido como “fondi”, tal como o foram as Companhias Britânicas e Holandesas, antecessoras do Clube dos 300 e do Clube de Bilderberger. Entre os autores que estudam este tema, é unânime a opinião de que o objectivo final desta estrutura é a consubstanciação de uma sociedade pós-industrial de matriz sinarquista.

(Nota extra n.º 1: O vocábulo “sinarquismo” é usado para definir um novo conceito de alianças políticas numa irmandade internacional constituída por financeiros e industriais através da união de socialistas e anarquistas baseados em princípios fascistas. De acordo com as informações altamente secretas de 18 páginas da secreta militar francesa recentemente desclassificada, um resumo de um dossier com cem páginas sobre os grupos sinarquistas franceses, datado de Julho de 1941, esclarece: “o objectivo do movimento sinarquista é essencialmente derrotar todo país onde existam regimes parlamentares considerados insuficientemente dedicados aos interesses desses grupos e, portanto, difíceis demais de controlar devido ao número de pessoas requeridas para tal fim”.).

Portanto, a opinião comummente aceite entre vários autores, é que a intenção subjacente a todo e qualquer encontro regular do Clube Bilderberger tem sido a de fomentar uma “aristocracia de proposta sinarquista” entre a Europa e os EUA, com o intuito de alcançar um acordo mútuo em questões de política, de economia e estratégia para, em conjunto, influenciar directa e indirectamente as políticas dos governos.

A ideologia subjacente aos Bilderbergers não é nova e pode ser facilmente detectada ao longo da história da Humanidade. Tal como os romanos, outros povos tentaram, em vão, criar sua própria versão de um governo mundial; os persas ou os mongóis, à sua escala, também enveredaram por aquela via. Muitos outros o ambicionaram sem conseguir alcançar tal objectivo à escala global.

No entanto, se é verdade que os romanos instituíram o Império Romano, também é um facto que o seu grau de conhecimentos científicos não lhes permitiu a tecnologia e os meios para influenciar a população mundial à sua vontade. Com o advento da era digital e da globalização, estão hoje em dia bem mais reunidas as condições, os conhecimentos e os meios necessários à implementação de um governo mundial de facto.

Dizem ainda várias teorias que os Bilderbergers, entre outras organizações supranacionais que com este grupo estão interligadas, tentam expandir a sua concepção de Companhia Mundial em que todos, dos governos às pessoas estarão, sem se darem conta disso, sob influência daqueles. Deste raciocínio resulta a opinião de que, por detrás de algumas mortes “inexplicáveis”, assassinatos políticos, atentados chocantes, invasões militares, manutenção de guerras, pandemias, tratados políticos paradoxais, crises económicas e financeiras, campanhas de desinformação e contra-informação e outros factos estranhos ou bizarros, oculta-se algo muito maior e cada vez mais difícil de ignorar: a gradual implementação de um Governo Mundial Único.

A ONU, tal como o FMI, a OMC, o NAFTA, o Tribunal Internacional de Haia, a UE, OCDE – entre muitos outros – são assim considerados por alguns daqueles teóricos como sendo instrumentos de facto implementados mundialmente para que, sob sua influência, vários governos e nações não controlem totalmente os seus próprios destinos.

Também são comuns as opiniões de teóricos que vêem certas organizações supranacionais (por exemplo a NATO e a ONU) como instrumentos essenciais à legitimação de operações militares adequadas aos planos político-económicos de guerra continuada, na qual se incluem inclusivamente a chantagem nuclear.

Em última análise, aquele projecto global do Clube Bilderberg incluiria assim um só exército, um só sistema jurídico, além de sistemas económico e educacionais estandardizados.

Um tal desígnio teria como via a aplicação dos mais recentes meios de comunicação massificada e também de sofisticados métodos psicológicos já anteriormente experimentados e estrategicamente aplicados, inclusive os que concernem à generalização do consumo/tráfico de drogas e ao aparecimento da cultura de massas e do consumismo, entre outros acontecimentos marcantes para o século XX.

(Nota-extra 2: Exemplo pioneiro da globalização foi a massificação da música popular ou pop music. Não alheio a este fenómeno esteve o Instituto Tavistock que conceptualizou o novo conceito pop, designando-o como uma “mudança de paradigma” da sociedade.

Recordemo-nos que no início dos anos 60 os Beatles, não eram mais do que uma banda de música de clubes nocturnos; o advento de uma rebelião juvenil, aparentemente espontânea contra o antigo sistema social em vigor até aos anos 60 foi amplamente estudado como uma “Experiência de Massas Sobre Condicionamento Cultural na Sociedade Contemporânea”. Esta experiência maciça foi levada a cabo por eméritos cientistas do Instituto Tavistock, uma instituição pioneira na investigação aprofundada acerca da modelação psicológica, moral, espiritual, cultural, político e económico do Ocidente.

Naquela experimentação de controlo da população foi permitido o uso de drogas psicodélicas/psicotrópicas e de métodos de manipulação modelada da vontade (o marketing publicitário é um dos exemplos mais populares) que se revelaram altamente eficazes na alteração do estado de consciência das mentes e dos hábitos de vida, inclusive os de consumo económico. Daqui também resultaram dados cruciais bem como novas informações sobre os mecanismos de condicionamento do comportamento humano através da rádio, da televisão e outros meios tecnológicos de comunicação, utilizados para a manipulação das populações, aos quais hoje em dia podemos acrescentar a Internet.).

Na complexidade do mundo civilizado a realidade pode ser múltipla e ultrapassar a própria ficção.
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