terça-feira, 21 de abril de 2009


O actual Santo Padre tem parcialmente razão num aspecto: o uso do preservativo, só por si, não resolve o problema da pandemia do VIH e neste ponto termina a infalibilidade Papal sobre o assunto.

Há todavia uma conclusão técnica, baseada em anos e anos de ciência e de experiência, que já foi possível deduzir: o uso do preservativo é uma medida de Prevenção e de Redução de Riscos absolutamente necessária para prevenir a propagação da pandemia do VIH/SIDA.

Aqui, na Universidade do Algarve, tenho a honra de ter desenvolvido (em parceria com o CAD e a CNLCS), desde 2002, um Programa de Prevenção de Comportamentos de Risco que envolve:

1 - A distribuição semanal (e gratuita) de preservativos com informação anexa a todos os alunos das residências universitárias e aos alunos e funcionários que frequentam os bares, cantinas e serviços médicos da Universidade;

2- Um rastreio de VIH efectuado todas as semanas, alternadamente em cada pólo da UAlg;

3 - Sessões de formação ao longo do ano e uma intervenção anual - chamada de TU DECIDES -que decorre durante toda a semana das festividades da Queima das Fitas (que aqui se chama "Semana académica"), evento anual esse que alia a vertente da prevenção formativa sob 2 aspectos de redução de riscos: o VIH/SIDA e a condução sob efeito do álcool.

Ao longo destes anos que decorre o Programa de Prevenção da UALg distribuímos mais de 500 mil preservativos, efectuámos mais de 200 rastreios semanais de VIH/Sida (e 3600 testes de alcoolemia durante as semanas académicas).

Resultado quanto ao tema do VIH/SIDA? Agora, ao contrário de quando iniciámos, fala-se abertamente sobre a prevenção das DST em geral, os homens aderem cada vez mais ao programa (no início eram mais as mulheres), o feedback sobre o Programa de Prevenção é positivo em 96% dos casos (dados do último Inquérito interno de 2007, cuja tendência parece manter-se no de 2008 ainda em análise) e somos solicitados regularmente pelos alunos para intervir em sessões de esclarecimento sobre o tema e a prosseguir com as actividades de prevenção.

Os números, a mim, apesar do sucesso interessam-me relativamente: basta-me o facto que salvámos vidas. Nem que fosse apenas uma, já tinha valido o esforço. Pois não é que Quem Salva uma Vida, salva a Humanidade?

O Santo Padre e o Cardeal Patriarca que recentemente fizeram afirmações dúbias, lamentáveis e que não lhes fazem justiça, não sabem ou não querem saber, mas a Verdade - Divina - é que a ignorância, mesmo que seja a Santa Ignorância, mata!

Que Deus lhes perdoe.

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

A culpa morre solteira


Familiares das vítimas de Entre-os-Rios poderão ter de pagar 57 mil euros


Depois das seis pessoas levadas à barra do Tribunal pela queda da Ponte Hintze Ribeiro terem sido absolvidas, a Justiça veio agora reclamar aos familiares das vítimas o valor das custas judiciais.

Ao que parece, porque o Tribunal concluiu que a queda da Ponte se deveu a causas naturais, não serão efectuadas quaisquer diligências no sentido do apuramento da responsabilidade pela morte daquelas mais de cinco dezenas de inocentes. Uma vez mais, a culpa morre solteira.

Parece assim que os culpados pela tragédia foram as vítimas que passaram naquele local à hora errada e os familiares que quiseram, por via judicial, apurar as responsabilidades daquele sinistro acontecimento.

Por se atreverem a pedir justiça por aquela tragédia tenebrosa, além de pagar com a dor imensa da perda que sofreram, os queixosos pagarão também em numerário (ou cheque ou prisão, caso não tenham como pagar as custas judiciais que lhes forem imputadas).

Algo está muito podre no sentido de Justiça da jurisprudência portuguesa.

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domingo, 5 de abril de 2009

Com amigos assim não precisamos de inimigos






















O nosso Tratado de Aliança com a Inglaterra - geralmente referenciado como Aliança Luso-Britânica sendo em Portugal conhecida vulgarmente como Aliança Inglesa - é a tida como a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor, tendo sido assinada em 1373.

A meu ver, tal Aliança foi sempre mais proveitosa para os ingleses do que para nós, mesmo não esquecendo as guerras napoleónicas e a invasão de Portugal pelos franceses (precisamente por causa do nossa aliança com os bretões que nos obrigava a rejeitar o célebre Bloqueio Continental imposto à Inglaterra). Ao longo dos séculos, numa perspectiva longitudinal, foram mais os prejuízos do que as vantagens. Aquela que penso ser a mais evidente contribuição desse tratado político-militar foi no jogo de forças relativo à nossa independência face ao contínuo apetite de anexação castelhano… e pouco mais.

A subserviência portuguesa ao Reino Unido pode ser perspectivada como um facto histórico, tendo começado muito antes do Ultimato Inglês de 11 de Janeiro de 1891.

É certo que tivemos esporadicamente algumas respostas pífias de indignação, que é como quem diz sacudidelas ao peso da pata do Leão Inglês sobre o lombo do Zé Povinho, mas tais respostas foram muito mais manifestações de reacção emocional colectiva do que a execução de políticas afirmativas de independência efectivas. Muitas dessas resistências aconteceram sob a forma satírica: por exemplo, algumas pessoas não sabem mas a letra do Hino Nacional originalmente escrita tinha uma letra um tanto ou quanto diferente da actual: onde hoje se diz no Hino "contra os canhões marchar, marchar", dizia-se originalmente "contra os bretões, marchar, marchar.

Para ser justo, admito que houve um ou outro período de alguma excepção e de resistência efectiva às interferências inglesas nos assuntos internos de Portugal. Na nossa História contemporânea tal ocorreu por exemplo com a base militar dos Açores e deveu-se em muito à posição de neutralidade-à-portuguesa que conseguimos estabelecer durante a Segunda Grande Guerra Mundial, do novo equilíbrio geoestratégico emergente no pós-guerra não sendo estes dois factores estranhos às características manifestamente nacionalistas da ditadura salazarista, reflexo explícito da personalidade do ditador português de então.

É claro que após a nossa entrada na CEE, actual União Europeia, tivemos oportunidade para aliviar alguma da pressão acima referida, apesar de ser patente que foi estabelecida (e redesenhada) uma distribuição de influência geopolítica dos grandes países sobre os mais pequenos, à qual (e dentro da qual) nós não somos excepção.

Aquela redistribuição permite-nos agora influenciar mais eficaz e diplomaticamente algumas opções políticas de relacionamento privilegiado com outros Estados que o Interesse Nacional determinar como mais conveniente, sendo este um factor real de maior independência face aos grandes países. As novas relações - regidas pelo Princípio da Igualdade entre Estados (apesar de alguns grandes serem mais iguais do do que outros mais pequenos...) - que podemos estabelecer dentro da esfera da União permitem uma maior margem de manobra fora da influência dos nossos aliados ou com os adversários tradicionais. Isto não é novo, Nicolas Maquiavel escreveu profusamente sobre isto no “O Príncipe” .

O famigerado slogan “Espanha, Espanha, Espanha”, é um bom exemplo dessa inversão estratégica; não teve apenas um objectivo económico subjacente, foi um risco de afirmação política controlado, assim como não é inocente a nossa persistente tentativa de nos colocarmos em bico-de-pés perante a encenação dos actores principais do teatro político Mundial. Este padrão emergente faz parte - ou assim parece - da permanente necessidade, algumas vezes esquecida por alguns, de continuar a garantir a Portugal o seu lugar como Estado de pleno Direito, internacionalmente reconhecido como tal.

Bem entendido, não reprovo esse caminho aparentemente hercúleo: rentabilizar o capital (cultural, políco e económico) resultante das boas relações que temos vindo a estabelecer ao longo dos séculos, particularmente junto das paragens onde outrora estivemos, pode ser uma boa solução para a continuidade da nossa sobrevivência como País indepencente; diversificar além da Europa, numa focalização cirúrgica calculada (CPLP, Mediterrâneo, alguns Estados da Índia, uns quantos países da Ásia) pode ser a chave para o nosso futuro.

Aquele capital é único, sendo que poucos pequenos países o poderão invocar (e aplicar) como nós; apenas nos falta outro tipo de recursos, por exemplo a motivação, a competência, a planificação, a persistência, mas isso é outra conversa. Ora, eu sou um dos que pensa que desde os Descobrimentos que não tínhamos tão boas condições para nos afirmarmos com sucesso no Mundo globalizado. Só nos parece faltar que tal seja um objectivo nacional muito distante da habitual mentalidade de acomodação catastrofista, tão bem simbolizada por Camões na figura do Velho do Restelo.

Também penso que não existem hoje em dia fortes motivos para subserviência acima referida nem temos que ter medo dos leões desdentados que outrora nos intimidaram. Ainda podem ser perigosos, é certo, mas perderam muito da sua genica e poder. Basta que fiquemos atentos e que respondamos às provocações ou às tentativas – umas mais ou menos directas outras subtis e cobardes - de interferência com a certeza da nossa razão e da legitimidade com Estado multissecular de Direito.

Este caso mundialmente mediático dos McCann envergonha-nos a todos, portugueses e ingleses.

A propósito da vinda a Portugal de uma equipa de filmagens acompanhada pelo pai da criança desaparecida para fazer uma suposta reconstituição do caso McCann para o Channel 4, ontem, antes de um jantar de família, entre uns quantos Portos brancos gelados para abrir o apetite, os vapores dionisíacos permitiram aliviar a auto-censura de algumas pessoas presentes ao que, às páginas tanta, uma delas disse-me despudoradamente: “… e este caso da Praia da Luz foi abafado contra nossa vontade pelos Ingleses, e só não vê quem não quer ver que o do freeport é uma retaliação, quase como uma tentativa de Golpe de Estado”.

Como não me quis aborrecer nem azedar o efeito de um Porto Ferreira Branco tão delicioso – e quem melhor do que os Ingleses, mais uma vez os Ingleses, para invejosamente o comprovarem – respondi apenas que se fosse Juiz submeteria imediatamente (a propósito desta desavergonhada vinda a Portugal para mais uma encenação mediática depois de ser ter recusado repetidamente antes em participar numa reconstituição aquando das investigações) o pai McCann à legislação portuguesa, reabrindo o processo e detendo-o imediatamente para interrogatório.

Sem medo e com a dignidade de quem está escudado na aplicação da lógica racional, baseado naquilo que penso ser a Moral implícita no Direito (repito, se fosse eu - mero mortal - um Juiz), seria aquela a minha decisão. Isso com certeza que teria muito mais efeito do que mil encenações mediáticas pagas com o pecúlio infame que acumularam.

Hoje de manhã, porque algo me indispôs a digestão do excelente jantar de ontem e me fez ter alguns pesadelos durante a noite, fui consultar o Código Penal e encontrei no Artigo 138.º (Exposição ou Abandono) o seguinte:

« 1. Quem colocar em perigo a vida de outra pessoa:

a) Expondo-a em lugar que a sujeite a uma situação
de que ela, só por si, não possa defender-se; ou

b) abandonando-a sem defesa, sempre que ao agente
coubesse o dever de a guardar, vigiar ou assistir: “o agente é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos”.

2. Se o facto for praticado por ascendente
(i.é, pai ou mãe): “o agente é punido com pena de prisão de 2 a 5 anos”.

3. Se do facto resultar:
a) Ofensa à integridade física grave: “o agente é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos”;

b) A morte: “o agente é punido com pena de prisão de 3 a 10 anos.
»

Foi lamentável a Lei não ter sido aplicada. Digo eu, que não sou nem Juiz, nem advogado ou tão-pouco polícia.

Como cidadão, e porque por enquanto ainda posso, penso que, mais uma vez, neste caso McCann funcionaram as vértebras serviçais habituais e os brandos costumes de sempre, pelo que tudo ficou em águas-de-bacalhau, para indignação, revolta e vergonha de muitos e desprestígio de todos; devemos - principalmente todos os pais e mães portugueses e ingleses - perguntar: porquê e para quê.


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segunda-feira, 30 de março de 2009

Perguntas... de Mário Crespo, jornalista.


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Este homem é um Jornalista.


Como todo o bom jornalista que se preze e saiba honrar a profissão faz perguntas, mesmo quando opina.


As perguntas muitas vezes são incómodas. Quando isso acontece e não são adequadamente respondidas, suscitam mais perguntas, algumas meias-perguntas, muitas dúvidas e, consequentemente, muita boataria.


É o que, infelizmente, está acontecendo, com muitos danos, internos e externos, para Portugal.
Lamentável.


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domingo, 29 de março de 2009

Petição


Para ler e assinar a "Petição pela responsabilização efectiva das famílias nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar" clique aqui
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O Medo do Insucesso Nacional

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Depois da publicação do Mitos da Economia Portuguesa, livro que já elogiei aqui , o Professor Álvaro Santos Pereira conseguiu novamente o prodígio de escrever outro livro de leitura muito acessível aos não especialistas, uma vez mais sobre o complexo tema da economia portuguesa.

Num registo equilibrado, entre o rigor técnico e o tom cordial - nalgumas passagens até mesmo provocador, humorada ou intimista - esta edição faz uma análise técnica, com um cunho pessoal marcadamente optimista e construtivo, sobre a evolução longitudinal da economia portuguesa contemporânea.

Apreciei e aprendi. Recomendo a leitura.


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quinta-feira, 19 de março de 2009

Europa em cartoon



O cartoonista Musa Gumus, da Turquia, conquistou o Primeiro Prémio do Concurso Europeu de Cartoon de 2008.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Recado à Professora...e outra pérola trágico-cómica

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e outra pérola :


Sim, a minha primeira reacção foi rir, muito até. No final de um dia de trabalho intenso, sabe bem descontrair.

Depois de enxugar as lágrimas, caí novamente na dura realidade: com base no que ouço dos meus amigos docentes e vejo um pouco por todo o lado na sociedade em geral, parece-me cada vez mais evidente que ser Professor, hoje em dia, também é exercer uma profissão demasiado complicada. Até mesmo arriscada, a nível físico e mental.

É caso para dizer finis coronat opus, não é verdade caros amigos e concidadãos?

Ânimo! Força e coragem, oh valentes!

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Portugal e a imprescindível Política da Verdade


Hoje, enquanto conversava com uma amiga de longa data, dei por mim defendendo a necessidade de fazer em Portugal uma grande revolução na ordem para evitar aquela outra que outros fatalmente poderão vir a fazer na desordem. Defendi que é preciso sentir a mesma ânsia de reforma e renovação construtiva que preconizou outros momentos da nossa história em que a nação se rejuvenesceu.

Para o efeito, há que distinguir os preconceitos dos princípios no actual estado da nossa civilização: sentir a revolta interior contra a injustiça, a imoralidade, a mentira, a hipocrisia, o parasitismo que vemos campear na vida política, económica, financeira e social do nosso país; reconhecer e afastar aqueles que vivem à sombra de venerandas mentiras sustentadas por indivíduos ou classes incapazes de se regenerar.

Há também que ter a coragem de não confundir nem comprometer o que existe de eternamente são, verdadeiro e belo, na nossa Sociedade, diluindo a crosta de erros, abusos e degenerescência que não são da sua essência nem constituem a sua força colectiva.

Onde encontrar os agentes dessa mudança? Na esquerda? Na direita? No centro? Onde quer que haja cidadãos desinteressados e nobres, consciências limpas e rectas, corações sedentos de verdade e de justiça, portugueses amantes de Portugal, nós podemos encontrar pontos de contacto, simpatias, solidariedades, apoio para a mudança de que necessitamos.

É cada vez mais evidente que existe uma profunda crise, para começar na Crise de Valores: estes sumiram-se, por anos seguidos de gastos públicos excessivos, de abusos impunes e actos de consumo impulsivos, numa exponencial orgia das notas e de crédito fácil; a organização do trabalho e da produção de riqueza perturbou-se gravemente e mostrou recentemente as consequências cada vez mais dramáticas das suas deficiências estruturais; a loucura das modas consumistas em tudo acrescentou o declínio até à demência colectiva, a começar pelas importações escusáveis e no endividamento externo; o desemprego vem cada vez mais como o último flagelo, inserido numa economia que abranda cada vez mais e se fragmenta numa globalização implacável.

O futuro mostra-se incerto, mas de facto é previsível: os nossos filhos terão mais dificuldades do aquelas que nós possuímos agora. Os anos vindouros serão de vacas magras e isso implica que se aprenda desde já a lidar com a realidade da carência de recursos.

Concordo com a tese implícita no último discurso de Ano Novo do Presidente da República: a um sistema de administração em que predomina a falta de sinceridade e de luz, impõe-se uma política de verdade. Tal é essencial para o restabelecimento do sentimento de confiança, absolutamente imprescindível para o bom funcionamento individual e colectivo e, desde logo Institucional, em suma de tudo, do todo que compõe a estrutura basilar de uma nação como Portugal.

Num sistema de vida social em que só os direitos assistencialistas competem sem contrapartida com os deveres contributivos, em que comodismos e as facilidades político-económicas se apresentam como a melhor regra de vida, anuncia-se, como condição necessária de salvamento, uma politica de elevada moral e ética doutrinária, de exigência, de rigor, disciplina e sacrifício. Uma Democracia que se deixa devorar pela fluidez dos seus desígnios colectivos e degeneração dos fundamentos éticos da sua Política corre o risco de implosão e, desde logo, de continar sendo uma verdadeira democracia.

Num Estado que foi dividido e deixado dividir-se em irredutibilidades sociais e em grupos de interesses, é cada vez mais necessária uma doutrina que restaure o sentido e a força de uma política verdadeiramente nacional que não repouse sobre várias mentiras: a mentira das previsões orçamentais, a mentira das promessas eleitorais, a mentira da Justiça, a mentira da Educação, a mentira da força pública do Estado, a mentira disciplinar, legislativa e de segurança dos cidadãos, a mentira do Estado Providência e providencial, a mentira da Saúde para todos, a mentira da justa tributação, a mentira dos investimentos faraónicos como modelo de desenvolvimento sustentado, e assim por diante.

Como se faz uma tal reforma - ou revolução - do País e das suas Instituições? A nossa história ensinou-nos como isso sucede, basta que percebamos até onde, infelizmente, teremos que chegar para que tal aconteça.


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terça-feira, 3 de março de 2009

Narciso, Eco e a etimologia do Narcisismo



Segundo o poeta Ovídeo, ao rio-deus Cefísio e à ninfa Laríope, nasceu um filho chamado Narciso, que parecia à sua dedicada mãe o mais belo dos meninos.

O rapaz cresceu de uma beleza rara, não só aos olhos da mãe mas aos de todos os que não fossem cegos. Não havia rapariga que não lhe lançasse olhares apaixonados; e os jovens menos favorecidos tinham de invejar os encantos que tornavam Narciso vaidoso acima de todas as criaturas da terra. Quando atingiu a flor da idade adulta, estava apaixonado apenas por si próprio.

Afastando-se de todos os que pretendessem ser seus companheiros, Narciso costumava passear sozinho por locais solitários, perdido na admiração pela graciosa figura que nenhuns olhos, excepto os seus, eram dignos de contemplar.

Um dia, quando vagueava por um bosque foi, sem dar por isso, visto por Eco, uma ninfa dos bosques que o amou à primeira vista, mas não queria abrir o coração até que ele lhe perguntasse o seu segredo: Hera, esposa de Zeus, rainha legítima do Olimpo, descontente com a língua tagarela da ninfa, retirou-lhe o dom da fala a não ser em resposta a outra voz.

Por isso agora, quando Narciso andava pelas matas, Eco acompanhava como uma sombra os passos daquele belo jovem; ansiosa como estava por se dirigir a ele, tinha de esperar que ele falasse primeiro, e nem se atrevia a mostrar-se a não ser por desejo dele.
Mas ele, entregue a doces pensamentos sobre a sua própria pessoa, continuava a caminhar silencioso e a donzela seguia-o amorosamente sem ser vista, até que, por fim, quando ele parou numa fresca fonte, aos seus ouvidos chegou um sussurro vindo das folhagens.

- “Quem está aí?” exclamou Narciso, levantando os olhos para perscrutar a sombra verde.
- “Aí!” respondeu-lhe Eco, sem que ele visse quem falava.
- “De que tens medo?”, perguntou ele; e a voz invisível respondeu: “medo!”.
- “Vem aqui já!”, gritou espantado por suas palavras lhe serem devolvidas de forma trocista; mas a voz não se materializava.
-“Já!” foi a resposta; e então surgiu Eco toda corada, como se alguém lhe tivesse deitado os braços ao pescoço.
Mas na água cristalina da fonte o jovem captara outra imagem que agradava mais aos seus olhos; e pôs de parte rudemente a ninfa enamorada, com palavras duras.
-“O que te traz?”
-“Traz!”, gaguejou ela, recuando perante o seu ar carrancudo.
-“Vai-te embora!” mandou ele zangado. “Nada pode haver entre alguém como tu e o belo Narciso.”
-“Narciso!” suspirou Eco quase indistintamente; e fugiu nas pontas dos pés para esconder a cara envergonhada na sombra profunda da mata, rogando numa prece silenciosa à Deusa Némesis, que aquele jovem orgulhoso aprendesse por si próprio o que era amar em vão.

Quando ficou sozinho, Narciso, cheio de curiosidade, voltou-se para trás, para aquela água em que julgava ter visto um rosto mais belo. Como num espelho de prata, ela cintilava à luz do Sol, cercada por um anel de plantas floridas, como que a defendê-la das patas dos animais que ali costumavam beber. Ajoelhando-se na borda, estendeu a cabeça sobre a fonte clara, e lá viu um rosto e umas formas tão arrebatadoramente belas que estava pronto a saltar para a água para junto de tão formosa figura.
-“Quem és tu, assim tão belo?” exclamou Narciso; e os lábios da imagem mexeram-se, mas não escutou resposta.

Sorriu e o sorriso foi-lhe devolvido. Corou deliciado e o rosto na água cobriu-se de sangue rosado, com os olhos brilhando tal como os dele. Estendeu a mão e a linda forma fez-lhe o mesmo gesto; mas logo que a superfície da água foi tocada, a bela imagem desapareceu como um sonho, para regressar pouco depois em todo o seu encanto, enquanto ele se contentava em olhá-la, imóvel; e depois novamente ficou mais baça por baixo das lágrimas de aflição que ele derramava na água.

-“Não sou pessoa que se despreze”, argumentou ele com a imagem tímida que o encantava, “mas alguém que donzelas mortais e ninfas têm amado em vão”.
- “Vão!”, ressoou do bosque a voz triste de Eco.

Repetidamente ele se curvou para apertar aquela imagem encantadora nos braços, mas sempre ela lhe fugia; e quando ele lhe suplicou que se deixasse abraçar, a imagem limitou-se a imitar os seus gestos num silêncio inflexível.

Enlouquecido por tão grande encanto à sua semelhança, não podia afastar-se do espelho no qual a sua imagem continuava a troçar da sua imaginação.

-“Aí de mim!”, era o seu grito constante, que sempre lhe era devolvido em suspiros vindos do refúgio da rejeitada ninfa Eco.

Hora após hora, dia após dia ficou Narciso curvado sobre a borda da fonte em vigília, sem querer saber de comer ou de beber, clamando em vão por aquele objecto imaginado de adoração, até que, por fim, o coração deixou de bater de desespero, e ele caiu entre os lírios de água que lhe serviram de mortalha.

Os próprios Deuses foram tocados na compaixão por aquele cadáver tão belo; e assim se transformou Narciso na flor que tem o seu nome.

Quanto à pobre Eco, que pedira aquele castigo para o coração frio de Narciso, nada ganhou senão dor por sua prece ter sido ouvida. Solitária, foi chorando o seu amor desprezado, até que dela só restou uma voz inútil, que ainda hoje habita as montanhas onde nunca mais pôde ser vista por quaisquer olhos surpreendidos; mas sempre tem de lhe deixar a última palavra.



Inspirado no Mito de Narciso e no que subjaz às múltiplas versões do mesmo, i.é, o amor (obsessivo) que se tem pela imagem de si mesmo, o conceito de narcisismo tem sido desenvolvido pela psicanálise. Tudo começou quando Freud utilizou o termo Narcisismo como um conceito teórico que permitia explicar a psicose como um retorno da libido sobre o sujeito; mais tarde também foi utilizado como um conceito clínico que descreve um conjunto de atitude humanas dominadas por duas características principais: o desinteresse pelo mundo exterior e uma imagem grandiosa de si.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Origem do Mundo - Gustav Coubert




A PSP de Braga apreendeu hoje, 24 de Fevereiro de 2009, cinco exemplares de um livro sobre pintura. Os letrados agentes da autoridade bracarenses consideraram como "pornográficos" os exemplares apreendidos, colocados à venda numa feira de livros, cujas capas continham uma reprodução de um quadro do pintor Gustave Courbet. O livro em causa é a edição portuguesa do Pornocracia, da escritora Catherine Breillat.

A figura da capa da edição em causa é uma réplica de um quadro do pintor oitocentista Gustave Courbet - tido como fundador do realismo em pintura - pintura essa que expõe as coxas e o sexo de uma mulher sendo, por isso, a sua obra mais conhecida (mas não a melhor). Pintado em 1866, o quadro em causa está exposto no Museu D'Orsay em Paris.

Gustave Courbet, um socialista convicto, ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, com o quadro "A Origem do Mundo" abalou profundamente o meio artístico, tendo a sua exposição pública sido proibida na época. Isto ocorreu em 1866, portanto à 143 anos atrás.

Mudam as épocas mas permanece o puritanismo, a ignorância e a hipocrisia. A propósito desta característica humana e como disse François de La Rochefoucauld: "A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude". Ou seja, todo hipócrita - e aqueles senhores e senhoras de Braga não são excepção - finge emular comportamentos correctos, virtuosos, socialmente aceites. Quando aquela crença fingida se completa com a ignorância e o puritanismo o resultado é quase sempre uma qualquer forma de fundamentalismo (político, religioso, moralista, etc.).

Resumindo este lamentável acontecimento de hoje: ao final do dia, o Ministério Público ordenou a devolução dos livros apreendidos - leia-se censurados - e anulou o auto da apreensão efectuada pela PSP.

Como sucedeu com a descarada censura do Ministério Público - depois corrigida - que ocorreu no Carnaval de Torres Vedras (onde uma sátira ao computador Magalhães foi censurada, exactamente com a mesma argumentação de ser "pornográfica"), fica cada vez mais evidente que a Liberdade de Expressão, e desde logo a própria Democracia, implica muita participação de todos e constrói-se permanentemente pelo que não é, nem está, adquirida.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Petição Contra a Colocação Obrigatória de Chips de Vigilância nas Matrículas dos Automóveis






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Sexo, sensualidade e imaginação.


O sexo ajuda a atenuar o mau humor e até as dores de cabeça; eis algumas sugestões em como pode praticá-lo de forma relaxante. Abra a sua mente, experimente algumas e descubra se melhoram o seu (o vosso) prazer habitual.

O sexo, o bom sexo, cria laços que podem consolidar um relacionamento. O excesso de trabalho, a ansiedade e a negatividade diminuem o desejo sexual e isso pode certamente prejudicar o relacionamento de um casal.

O sexo (de preferência com afecto... ) atenua o mau humor, as dores de cabeça causadas pelo stresse e a insónia, além de aliviar os músculos e o mal-estar provocado pelas preocupações do dia a dia.

Algumas indicações para revitalizar a intimidade abalada pelo stresse e praticar sexo de forma relaxante são:

1 - Esqueça o álcool
Quando se sentir stresse, não fume nem beba em excesso; fumar e beber mais de duas doses de álcool prejudica a erecção masculina e a resposta sexual feminina.
Desligue a TV e ouça música romântica ou relaxante num ambiente calmo.
Os casais que têm televisão no quarto mantêm 50% menos relações sexuais do que aqueles que não têm – este facto é ainda mais marcante entre pessoas com mais de 50 anos.

2 - Combata o cansaço
Se você habitualmente cai na cama exausto no fim do dia pode beneficiar de momentos de intimidade em horários inusitados, após algum repouso, quando tem mais energia - talvez ao acordar, durante o duche ou após pequeno-almoço, por exemplo.
Caso costume dormir após tomar o último copo da noite, tente primeiro o sexo e o álcool depois.

3 - Trabalhe menos, brinque mais
Quanto menos relações sexuais as pessoas têm, mais tendem a envolver-se com o trabalho, provavelmente para exteriorizar parte das frustrações acumuladas. Para piorar a situação, ao assumir responsabilidades adicionais, reduzem o tempo disponível para o sexo. Ter relações sexuais pelo menos duas vezes por semana funciona como um antídoto e um relaxante natural para as pessoas em stresse.

4 - Noutros lugares excepto apenas na cama
Para recuperar o desejo nos relacionamentos mais duradouros, use a imaginação e diversifique os locais onde tem relações – no carro, em cima da mesa da cozinha ou do aparador, em frente a uma lareira ou no jardim. Geralmente a ousadia e a quebra da rotina aumentam a excitação.

5 - Ajuda da cozinha
Os armários da cozinha são locais inspiradores para guardar brinquedos que podem apimentar a sua vida amorosa.
Passe um pincel de cozinha na pele, experimente o toque leve do batedor ou de uma colher de pau, use um avental sobre a roupa íntima. Procure algo que ajude à sensualidade na despensa – por exemplo, a farinha de milho é uma alternativa sensual para o óleo de massagem.
Brincar com comida – por exemplo doces, geleia, chantilly - pode ser um duplo estimulante, dos 5 sentidos e do prazer sensual.

6 - Envie mensagens provocantes
Quando não estiver perto do seu parceiro(a), lembre-o calorosamente da sua paixão e desejo. Apenas verifique bem se o número está correcto antes de enviar tais mensagens íntimas!

7 - Sexo como meditação
Se o casal reserva algum tempo para meditar, devotem-no de vez em quando para a exploração mútua dos corpos de um e do outro.
O sexo é uma actividade meditativa, já que transferir os sentidos para o "aqui e agora" afasta as preocupações do dia-a-dia, as questões passadas e a ansiedade em relação ao futuro imediato.

8 - Meditação da respiração
Deitem-se em posição "de colher", com a parte anterior do corpo do parceiro encaixada nas suas costas. Não se mexam, apenas notem a respiração um do outro. Tentem coordenar o ritmo de respiração, revezando-se para seguir o ritmo de inspiração e expiração um do outro; quando um expirar, o outro inspira. este exercício conjunto melhora a confiança mútua e estimula os sentidos.

9 - Comam chocolate
O chocolate contém feniletilamina e alguns estudos revelaram que essa substância química, que melhora o humor, desencadeia também a sensação de paixão e a molécula da "felicidade", a anandamida (que segundo alguns autores, pode estar ligada à adicção).

10 - Banho de chocolate e baunilha
Uma caixa de trufas é o acompanhamento perfeito para este banho, que inclui baunilha - redutora da ansiedade - e jasmim - que aumenta a positividade e a autoconfiança – e pode também despertar a paixão e a compaixão.

2 vagens de baunilha
12 colheres (sopa) de leite em pó
2 colheres (sopa) de chocolate em pó
6 gotas de óleo essencial de jasmim (não utilize durante a gestação)


Coloque as vagens na banheira enquanto a enche com água quente. Misture o leite e o chocolate em pó em uma tigela, adicionando água fria aos poucos e mexendo constantemente até formar uma pasta cremosa. Adicione o óleo de jasmim, mexa e despeje a mistura na banheira, fazendo movimentos suaves com os dedos para dissolvê-la. Promova um ambiente relaxante (música e luz adequadas ao momento).
Após o banho, retire e guarde as vagens de baunilha para reutilizá-las.

11 - Faça uma massagem sensual
Reserve algum tempo para uma massagem lenta, em ambiente relaxante, com estes óleos afrodisíacos e veja ao que onde eles levam...

4 colheres (sopa) de óleo de semente de uva
3 gotas de óleo essencial de jasmim (não utilize durante a gestação) e de patchuli
Despeje o óleo de semente de uva numa garrafa de vidro escura e pingue lá dentro os óleos essenciais. Tape-a e agite bem antes de usar na massagem.

12 - Cozinhe com especiarias
Muitas especiarias possuem propriedades afrodisíacas e têm reputação de longa data nas tradições indiana e europeia como afrodisíacos.

Incorpore os seguintes ingredientes em jantares românticos:
Cardamomo, um tónico famoso para o amor e o romance.
Cravos, para estimular e ao mesmo tempo aliviar a tensão nervosa.
Grãos de pimenta-do-reino
, para a virilidade pois estimulam o fluxo sanguíneo.
Canela, pelo seu poder sedativo e mentalmente estimulante.
Coentros, para controlar a tensão nervosa e aumentar o desejo.
Noz-moscada, para elevar a libido.

13 - Renove as roupas íntimas
Roupas íntimas mais sensuais, tanto para homens quanto para mulheres, podem ser excitantes. Use seda pura em contacto com a pele ou roupa íntima que realce a sensualidade do corpo.

14 - Estilo erótico acentuado
Assista a um filme erótico para aprender ou recordar algumas dicas interessantes sobre como aquecer a sua vida amorosa. O casal pode tentar também um striptease a dois, em simultâneo ou um para o outro ou um role-play (simulação de papéis – do tipo a enfermeira e o paciente, dois estranhos que se encontram, etc.).

15 - Aromatizador sexy
Num borrifador para plantas, adicione 5 gotas de óleo essencial para cada 10 ml de água.
Use para aromatizar o quarto e deixá-lo mais aconchegante.
Para revitalizar: laranja, bergamota.
Para relaxar: limão, lavanda, baunilha.
Como afrodisíaco: jasmim, patchuli.

16 - Cante duetos
Cantar em coro eleva os níveis de oxitocina (a hormona do Amor) no sangue. Forme um dueto com o seu parceiro(a) e entrem no clima sensual propício para a relação sexual.

17 - Óleo para banho afrodisíaco
Esta mistura conta com os poderes afrodisíacos dos óleos: jasmim para excitar os homens (não utilize durante a gestação das mulheres) e sândalo para aliviar a ansiedade feminina.

1 colher (sopa) de óleo de amêndoa doce
3 gotas de óleo essencial de jasmim, sândalo e patchuli
pétalas de rosas secas ou naturais

Despeje a mistura de óleos e as pétalas numa banheira com água quente.
Relaxe e fantasie ou recorde-se de encontros românticos e sensuais.

18 - Ansiedade do desempenho
O medicamento homeopático Lycopodium 30 pode ajudar os homens a relaxar e elevar a libido. Em termos gerais, na ansiedade do desempenho recomenda-se a exploração dos corpos na procura do prazer mútuo e sem qualquer pressão (pré-acordada entre o casal) para a obtenção do clímax.


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domingo, 25 de janeiro de 2009

E o que fazem alguns "amigos" quando surgem os problemas?


É costume dizer-se que os verdadeiros Amigos reconhecem-se nas horas de aflição, na prisão, no hospital ou no funeral.

Ontem assistiu-se a um acto de coragem do Primeiro-Ministro de Portugal que - em directo através dos media - defendeu sozinho a sua Honra perante um País desconfiado e cada vez mais deprimido.
Quem não deve não teme pelo que, sendo este o caso do actual Primeiro-Ministro e não esta comunicação um movimento de desesperada defesa, fez bem avançar com uma tal exposição pública. Dos seus apoiantes, militantes e boys, obtivemos ao longo dos últimos dias - em larga maioria - uma resposta semelhante à foto acima postada.

Lamentável toda esta situação, que não está isolada da decadência que tem despojado o nosso País, numa multiplicidade de situações, ao longo destes trinta e tal anos de Democracia.

Desde a normalização dos desatinos Revolucionários do pós-25 de Abril, temos tido demasiado acontecimentos extraordinários. Recordo apenas alguns deles:

- Um atentado não esclarecido que vitimou um Primeiro-Ministro e um Ministro da Defesa entre outros inocentes;
- A súbita aparição de um Partido de inspiração presidencial que (felizmente) pouco tempo depois se eclipsou;
- Dois Primeiro-Ministro que abandonaram o País quando estavam em plenas funções;
- Um recente Golpe de Estado Constitucional perante a apatia geral da Nação;
- Dezassete Governos Constitucionais em trinta anos;
- Um declínio acentuado da Soberania e da Independência do País perante a anuência dos Órgãos de Soberania;
- O recente regresso das nacionalizações - e das ameaças de nacionalização - de certas instituições privadas em dificuldades;
- O agravamento acentuado dos graves problemas estruturais e sectoriais do Estado - principalmente da Justiça, mas também da Educação, Saúde e Economia - que requerem necessariamente um alargado consenso nacional e a consequente persistência das estratégias políticas fundamentais à viabilidade do País (sendo cada vez mais óbvio que ambos vectores - estratégia política de consenso nacional e persistência da respectiva práxis - estão demasiado instáveis e têm oscilado conforme as movimentações da alternância bipartidária que nos tem governado desde do advento do actual regime democrático).

Doravante, dizem-nos as elites, a situação seguirá ainda mais a descer. Se isto não é o declínio, inclusive da esperança, o que significa?

Aliás, tudo isto só reforça a minha tese de que se torna cada vez mais evidente que, a partir de meados do último decénio, a III República Portuguesa vive tempos de intensa deterioração dos mais elementares Princípios e de Valores, éticos e morais, - que se tornaram demasiado conturbados para estabilizar sem mais dissabores ou até mesmo uma séria ruptura... Deus queira que me engane. Oxalá assim seja.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dies irae



Olho por olho dente por dente, quem com ferros mata com ferros morre, quem semeia ventos colhe tempestades… que mais se pode dizer sobre a brutalidade da Guerra, sobre todas as guerras, que já não tenha sido falado, escrito ou cantado?

Shalom Israel …de vítimas a carrascos foi menos de um século.

Shalom Israel … do Gueto de Varsóvia até Gaza perdeu-se a apátrida memória da opressão e do genocídio de um povo encurralado.

Shalom Israel … Shalom.

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Excerto do livro "PÁTRIA" de Guerra de Junqueiro, publicado em 1896.


«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas.

Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar
.»

Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.


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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Afinal o Amor pode durar para sempre ...




Segundo a edição online de ontem do Sunday Times, uma equipa de investigadores coordenados pelo Psicólogo Arthur Aron da Stony Brook University, de Nova Iorque, comparou, através de imagens por scanner cerebral, as reacções químicas manifestadas por casais de longa data e por casais em início de relacionamento amoroso.

Os resultados foram surpreendentes: o cérebro de alguns casais, juntos há mais de 20 anos, libertou os mesmos níveis de dopamina (um neurotransmissor associado às sensações de prazer) encontrados na fase inicial dos casais em fase de enamoramento.

No entanto, os investigadores sublinham que nos casais de longa data não foi identificado o quadro obsessivo que também caracteriza o enamoramento dos casais em início de relacionamento amoroso, o que poderá indiciar uma maior maturidade no relacionamento entre os elementos dos casais de longa data.

"Estes resultados vão contra a visão tradicional de que a paixão esmorece dramaticamente durante os primeiros dez anos de relacionamento, mas agora sabemos que o contrário é possível. O relacionamento destes casais permanece intenso, e sexualmente activo também, apesar de uma longa vida passada em comum.", afirmou Arthur Aron, citado pelo Sunday Times.

Aos casais imunes ao declínio da paixão, a equipa de investigadores da universidade nova-iorquina atribuiu a designação de "cisnes", uma das espécies que, no mundo animal, dedica toda a sua vida ao mesmo parceiro.

Estudos anteriores haviam validado a visão corrente de há pontos de ruptura, em média, ao fim de 12 a 15 meses de relação tal como ao cabo de três anos e ao fim de dez anos, passagem do cabo das tormentas onde "a química do romance" pura e simplesmente já não existiria.

Os resultados da equipe liderada por Arthur Aron vem deste modo contestar a generalização que aceita a inevitabilidade da ruptura amorosa ao cabo de x ou y anos.

Conclui-se, portanto, que uma das chaves do sucesso amoroso está na maturidade da relação entre os membros do casal – e na terapia de casal sabemos da importância da partilha de princípios e de valores, cumplicidade sexual, honestidade e respeito mútuo, responsabilidade perante o compromisso implícito na formação do casal, comunicação com afecto, etc.

Aliás, conheço alguns casos destes, inclusivamente na minha própria família. O que o Psicólogo Arthur Aron da Stony Brook University confirmou foi a máxima de que não há regra sem excepção.


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How to destroy the world - Transport

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A educação começa em casa, a Instrução continua na Escola


O bilhete acima diz «Venho por este meio informar a Professora de que quando o telemóvel da aluna XXX tocar na aula que nunca mais voltas a dizer que á aluna que fica sem Telémovel quando tocar é o pai ou a mãe, portanto que seja a ultíma vez que falas assim com a aluna se quiseres Tirar-lhe o Telemovel Tiras á minha frente O Pai.» (sic).



A grandessíssima besta iletrada que escreveu a nota acima afixada à professora de sua filha, o que merecia? Que pai é este, que educação revela, que educação transmite à sua criança?
Terá sido feita a denúncia desta ameaça escrita ao Ministério Público? E se foi feita a denúncia, que consequências teve?

Não sou professor por escolha pessoal mas, sem mais considerações e porque lido de muito perto (diariamente) com os produtos dos sistemas familiares disfuncionais e com o resultado longitudinal do sistema de ensino público, só posso afirmar que a escola actual serve para pouco ou para quase nada.

A escola Pública actual, resultado de experiências pedagógicas desconexas ao longo de mais de vinte anos, transformou-se num local onde são despejadas crianças e adolescentes na vã ilusão que lá ficam para aprender algo de útil para si e para a sociedade. Trata-se de uma ilusão caríssima paga por todos os contribuintes, mesmo os que não têm filhos a estudar, e para quê?

Os alunos limitam-se a passar o tempo na escola, não sabem estudar, não têm regras nem disciplina, são ignorantes nas ciências e nas letras, não sabem o que é o pensamento crítico, são completamente intolerantes à frustração e desconhecem o que é a planificação, o esforço organizado e a metodologia de trabalho ou a proficiência.

Os poucos alunos interessados e aqueles que querem realmente aprender não têm condições práticas para estudar porque a maioria dos colegas estão desinteressados e são indisciplinados, o que transforma muitas salas de aula em autênticos campos de batalha perante a passividade dos - cada vez mais desautorizados e cada vez menos motivados - docentes.

Por sua vez, os professores estão em larga maioria mal formados para a prática pedagógica; fazem-no em condições para o exercício pedagógico que estão longe de serem as adequadas e sentem-se naturalmente desmotivados para exercer as desajustadas funções que actualmente se lhes exige que cumpram. A isto acresce que os programas (currícula) são paupérrimos, os alunos não sabem estar - entre iguais e com os adultos - porque não têm boa educação em casa e os pais exigem que a escola faça um duplo trabalho - o de educar (papel que pertence à parentalidade) além da função de instruir.

Estamos a assistir à formação de uma geração de miúdos mimados, ignorantes, desumanizados, fúteis e egoístas (e fico-me por aqui porque a responsabilidade não é totalmente deles), a quem é transmitida a ideia de que o sucesso não requer disciplina e esforço, mas sim manipulação, teimosia birrenta ou pedinchice descarada. Uma geração que desconhece que o respeito pelo próximo representa garantias de reciprocidade para si mesmos. Uma geração que pensa ser desnecessária a disciplina pessoal e trabalho organizado para alcançar riqueza ou sucesso. Uma geração a quem foi transmitida a ideia do primado da fama fácil e do exibicionismo como valores prioritários para alcançar um alto status, cujo valor intrínseco se encontra fundamentado na apologia mediática do consumismo materialista. Uma geração que ambiciona muito mais ser Estrela e muito menos saber como ser Líder.

Para reforçar negativamente a bandalheira crescente em que se transmuta a escola pública, a avaliação dos alunos tornou-se ultimamente um alvo fácil de chacota por via do facilitismo oficial e do cada vez mais baixo nível de exigência, escandalosamente apenas para efeitos estatísticos.

Por conseguinte, não admira que os níveis de produtividade nacional continuem condenados à mediocridade pois a maioria dos alunos, para não dizer a totalidade, saí da escola sem saber fazer nada, inclusive sem saber escrever em português, fazer contas básicas ou pensar com racionalidade ou espírito crítico.

As luminárias que acabaram com as Escolas Industriais - e aquelas outras que transformaram os actuais Politécnicos em imitações de Universidades - deviam ser todas processadas pelo Estado e no limite, afastadas de todas as decisões estratégicas nacionais. Aquele enorme erro, mantido durante décadas de políticas erráticas de educação, faz-se pagar cada dia mais caro. Nem os centros de formação profissional ou os cursos de formação para formadores - ambos enormes sorvedouros de fundos comunitários dos anos 90 - vieram colmatar a ausência da instrução técnica especializada na escola pública portuguesa.

Gastaram-se fortunas para ocultar as deficiências estruturais da estratégia (!) educativa nacional e para quê? E agora, com as Novas Oportunidades, o que está a acontecer?

Há poucos dias ouvi um professor decano dizer que "mais valia comprar umas centenas de impressoras e dar automaticamente os certificados das novas oportunidades aos formandos".

Curioso em saber mais sobre o assunto, fiz um pequeno inquérito oficioso a uma dúzia de funcionários da instituição onde exerço e as respostas oscilaram entre: as formações não servem para nada ou servem para comprar um computador a preços baixos ou para tentar ter uma avaliação mais elevada ou para até mesmo para se distraírem e conviverem uns com os outros na risota (sic). Esta amostra não nos dá uma resposta fiável, é certo, mas pode revelar uma tendência reveladora: esta gente, trabalhadores adultos, é a mesma que tem a responsabilidade de educar as suas crianças, as mesmas que repetem atitudes semelhantes às dos pais em contexto de aprendizagem.

A pobreza não resulta apenas da destituição de recursos materiais mas também- e muito - da falta de espírito e da desinteligência dos indivíduos, tanto em privado como em contexto social.

Aos baixos níveis de qualificação profissional estão ligados os baixos índices de literacia e àqueles a disfuncionalidade individual e a familiar (i. é, a carência sócio-educativa). Por isso mesmo os curricula são fundamentais e devem ser estrategicamente direccionados, seja para instrução dos jovens como para a educação dos adultos. Ao mesmo tempo, a escola pública e o conceito educacional implícito na sua génese deve também ser elaborado em função da população a que se dirige e conforme as realidades sociais e culturais em que se aquela se insere.

Ao contrário do que se quis fazer crer, o paradigma das antigas escolas industriais não significava uma política de castas mas sim uma garantia de que a maioria da população em idade escolar podia adquir a instrução necessária para cumprir um papel activo e construtivo na sociedade assim que terminava a sua instrução escolar. Aqueles que demonstravam empenho e bons resultados podiam naturalmente prosseguir a especialização técnica ou académica dos seus estudos.

De que serve a um jovem que deseja ser canalizador ou electricista estar numa escola que não lhe ensina tais competências mas que o "prepara" para lá permanecer até perfazer - tendencialmente - 12 anos de escolaridade sem aprendizagens que lhe sejam úteis, para de lá sair sem saber exercer uma profissão ?

E aqueles alunos que hoje são indisciplinados, delinquentes ou simplesmente desinteressados da escola? São todos casos excepcionais e cada deve ser tratado pela sua especificidade. Para o feito existem e devem ser reforçadas as equipas técnicas multidisciplinares e desenvolvidas as turmas de reeducação. Mas nada disto pode ser efectivamente alcançado se as relações hierárquicas e disciplinares entre alunos, funcionários e professores permanecerem como estão.

O que não se pode aceitar é que em prol de uma intenção de inclusão de poucos elementos perturbados se provoque a disrupção dos restantes. Uma turma de duas dezenas com 2 ou 3 elementos disfuncionais é seriamente prejudicada no seu funcionamento global, o que nos indica que os custos da suposta inclusão resultam mais na alteração dos elementos funcionais do que na funcionalidade dos elementos perturbados.

Já sei que os defensores da escola inclusiva não apreciam esta tese mas a sua concepção de inclusão parece-me hipócrita e até mesmo cínica desde logo porque permite excluir na prática interrelacional proteccionista muito mais do que permite incluir. Os exemplos são muitíssimos, vão desde das deficiências físicas ou mentais, passando pelas perturbações patológicas do comportamento até à evidenciação das particularidades das etnias ou das nacionalidades. Quando se fazem discriminações positivas faz-se desde logo uma discriminação, seja qual for o eufemismo utilizado na linguagem politicamente correcta.

Por exemplo, a frase Todos Diferentes Todos Iguais, para além de ser paradoxal, revela uma verdade incómoda: a de que na prática das coisas a diferença existe de facto. Não são campanhas publicitárias ou Dias de Celebração que educam os indivíduos que compõem uma sociedade para a aceitação de uma determinada realidade e, simultâneamente, do seu contrário.

Se a base de um Princípio a ser alcançado é o respeito pelo direito à diferença há que garantir o cumprimento de tal direito desde logo no campo institucional (para começar seria bom que os tribunais funcionassem atempada e eficazmente de modo a garantirem o cumprimento dos deveres) sem desprimor que, ao mesmo tempo, se atribuam competências sociais aos cidadãos para o reconhecimento do valor universal intrínseco implícito na obrigação do respeito pelos direitos dos outros e na reciprocidade que inclui um tal dever, factores cruciais para pleno uso dos direitos de cidadania em segurança e em Liberdade.

É certo que sem alguns conceitos de filosofia, ou noções básicas de moral e de ética, direito, sociologia, psicologia, antropologia ou biologia não há consolidação intrínseca de certas competências sociais. Mas também é certo de que, se no contexto familiar, ou social, estiver ausente a aquisição e a aplicação daqueles conceitos e noções é muito provável que tais campanhas politicamente correctas ou as frases bonitas farão ricochete nas consciências endurecidas.

Por conseguinte é desde já crucial que os pais sejam muito mais responsabilizados pela sua própria educação para promoverem a educação dos filhos. Caso não cumpram com o seu papel devem ser-lhes dado hipótese de apoio técnico específico. Se assim mesmo recusarem ou forem notoriamente desplicentes face às suas obrigações de parentalidade, devem por isso mesmo ser exemplarmente punidos. Não existe legitimidade na exigência de Direitos quando à priori não são cumpridos os Deveres.

Assim, no imbróglio em que se tornou a Educação em Portugal, lançar dinheiro e outros recursos sobre o topo duma pirâmide danificada sem intervir estrutural e cirurgicamente na sua base é tão útil como tentar extinguir um incêndio com gasolina.

Quem são os responsáveis por tamanha delapidação dos recursos, cada vez mais escassos, na escola pública que se encontra muito desfasada das necessidades do País? Quando é que se percebe que não é lançando dinheiro sobre as situações que se resolvem tais problemas?

Além da crescente desresponsabilização dos educadores e da permissividade com que tal acontece, onde está, na classe política nacional, o sentido de Estado e de responsabilidade sobre o futuro de Portugal e dos portugueses? Quem foram (e quem são) os responsáveis pelo contínuo declínio da instrução pública portuguesa? Quando é se faz uma discussão nacional séria entre todos os intervenientes (Academias, Associações, Partidos, Ordens Profissionais, etc) e se define uma política de Estado consensual para a Instrução Pública?

Aaah...pois...estou a delirar... o Estado é uma entidade cada vez mais abstracta que abriga no seu seio político e administrativo (para não dizer dentro-e-fora-e-dentro-e-fora-e-dentro-e-fora do seu baixo-ventre impregnado por concupicente alternância partidária) essa mesma gente impune que tantos danos (nos) tem feito ao longo destes anos de regime (pseudo)democrático.

Ainda não perdi a esperança que isto mude (e para melhor) mas, neste pântano oligárquico em que continuamente nos afundamos, não sei muito bem se assistirei a boas mudanças antes de deixar de me importar com o estado da Situação (ou com a situação do Estado).
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Declaração Universal dos Direitos Humanos

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Cumprem-se hoje, 10 de Dezembro, os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos





Declaração Universal dos Direitos do Homem (versão simplificada)


1 - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.

2 - Todos os seres humanos podem invocar direitos sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião, origem, fortuna, nascimento ou território de residência.

3 - Direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

4 - Direito a não ser mantido em escravatura.

5 - Direito a não ser submetido a tortura.

6 - Direito a tratamento igual perante a lei.

7 - Direito a igual protecção da lei.

8 - Direito a recurso efectivo para o tribunal competente.

9 - Direito de não ser preso arbitrariamente.

10 - Direito a um julgamento equitativo por um tribunal independente.

11 - Direito à presunção de inocência até a culpabilidade ser provada em processo público em que sejam asseguradas todas as garantias necessárias da defesa.

12 - Direito à privacidade no domicílio, na família e na correspondência.

13 - Direito de circular livremente no seu próprio país e de abandonar qualquer país e regressar ao mesmo.

14 - Direito a procurar asilo político noutros países.

15 - Direito à nacionalidade.

16 - Direito a casar e constituir família e direitos iguais para homens e mulheres durante o casamento e após a sua dissolução.

17 - Direito à propriedade.

18 - Liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

19 - Liberdade de opinião e de expressão e de procurar, receber e difundir informação.

20 - Liberdade de associação e de reunião.

21 - Direito de participar no governo e de o escolher.

22 - Direito à segurança social e de exigir a satisfação de direitos económicos, sociais e culturais.

23 - Direito ao trabalho, a salário igual para trabalho igual, e a constituir e filiar-se em sindicatos.

24 - Direito a um horário de trabalho razoável e a férias pagas.

25 - Direito a um nível de vida adequado para si e para a sua família, incluindo alimentação, alojamento, vestuário, assistência médica e segurança social.

26 - Direito à educação.

27 - Direito a participar na vida cultural e à protecção de direitos de propriedade intelectual.

28 - Direito a uma ordem social e internacional capaz de tornar efectivos todos estes direitos e liberdades.

29 - O indivíduo tem responsabilidades para com a comunidade e para com os outros que são essenciais a uma sociedade democrática.

30 - Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou individuo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.



Para aprender mais sobre Direitos Humanos clique aqui


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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um Natal "Quente" na Grécia



A estúpida e infeliz morte de um adolescente por causa de um disparo de fogo real de um agente da polícia desencadeou uma onda de violência juvenil e anarquista em várias cidades Gregas, principalmente em Atenas e Salónica, mas também já em Patras, Ioannina, Epiro, Heraklion, Tricala, Hania, Creta e Mytilena (na ilha de Lesbos).

Os actuais tumultos - pancadaria em vários locais das cidades, confrontos violentos entre a polícia e grupos radicais, pilhagens a lojas, carros incendiados, imensos danos provocados em estabelecimentos e casas, barricadas em locais estratégicos - resultaram do agravamento da resposta de segurança pública sobre algumas manifestações radicais (inicialmente anarquistas) em protesto contra a crise económico-social, inflamadas pela morte do jovem Aleksandros Grigoropoulos, um adolescente de apenas 16 anos.

Entretanto, àqueles distúrbios e confrontos violentos - podemos falar de tácticas de guerrilha urbana utilizadas por estes grupos juvenis radicais -também se acrescentou a contestação política (de centro-esquerda) contra o governo conservador minoritário. Ou seja, a classe média começa também a revelar um intenso mal-estar contra a crise emergente e por causa da desilusão resultante das promessas não cumpridas.

Lá, como cá, existe toda uma geração sobre a qual foram investidos recursos e expectativas familiares significativos e que agora se encontra no desemprego ou condicionada por remunerações de 500/600 euros. Lá com cá, direitos adquiridos são restringidos (as reformas, o acesso aos cuidados de saúde e à justiça), o desemprego aumenta e as desiguldades sociais tornam-se cada vez mais evidenciadas por via do decréscimo do poder de compra da classe média e do empobrecimento acentuado das classes mais desfavorecidas.

A desilusão gradual implica sentimentos crescentes de frustração que cedo ou tarde serão libertados - mais ou menos intensa e adequadamente, frequentemente sob a forma de agressividade (tensão psicoemocional direccionada para o exterior) e de revolta (por acumulação emocional interna). Quanto mais intensa a frustração sem possibilidade de resolução maior a probabilidade de sucederem respostas emocionalmente intensas e não raramente violentas.

Tal como sucedeu também em França, a ignição violenta do rastilho extremista urbano (com um cariz radical porém limitado a grupos juvenis semi-organizados) parece ser mais um sinal irrefutável dos tempos difíceis que se instalam em determinados sectores da população e das dificuldades que os Estados de Direito vão encontrar para manter a Lei e a Ordem Pública em tempos de crise e de aumento das dificuladades sociais e económicas.

Ora, o funcionamento grupal violento ou o "movimento de massas" revolucionário - a turba ou a multidão em fúria - é um corpo instável cuja acção colectiva revela a libertação emocional das tensões agressivas individuais acumuladas, emoções conjugadas num poderoso mas irracional movimento colectivo. Essa acção conjunta de violência em grupo - em qualquer grupo - acontece por via de mecanismos primários de identificação, projecção e de transferência sob a forma de "acting-out" contra Outro, neste caso particular simbolizado pelos representantes da censura - "o pai tirano" - o Governo. Neste acto edipiano colectivo (e por isso mesmo infantil ou imaturo) não existe muito espaço para a auto-censura ou para a aceitação da reprimenda social adulta (neste caso representada pela aplicação da autoridade do Estado).

Por isso, nos casos da imatura perda grupal do controlo, o Estado ou o Governo (i. é, o Pai) deve actuar com firmeza mas com alguma parcimónia e especificidade na aplicação técnica dos meios de repressão face à fúria emocional de um grupo descontrolado. De modo que é muito importante que, ao mesmo tempo que se permite algum espaço para a manifestação das tensões sociais acumuladas (i. é, da manifestação inicial da birra colectiva), se definam imediatamente regras bem claras para a manifestação da revolta, essenciais que são para funcionamento maduro (adulto) de uma nação (da família alargada).

A acção das forças da ordem devem assim incidir desde logo sobre a detenção dos indivíduos mais destemidos e que violem claramente as regras instituídas - as estrelas - ao mesmo tempo que se promove a dispersão da coesão do grupo e a desfragmentação das acções de imitação grupal promovidas pelos líderes. Nestes casos de explosão social localizada não se recomenda de modo algum - como se costuma infelizmente assistir - a lógica de confronto directo entre grupos compactos de polícias armados que avançam e recuam contra os grupos de manifestantes que repetem os mesmos movimentos de conquista territorial, num jogo paranóide de medição de forças - ou eles ou nós.

Por conseguinte, em situações similares que sejam socialmente explosivas penso que importa garantir de imediato a Ordem Pública sem quaisquer dúvidas quanto à legalidade e eficácia direccionada do modo operacional como tal é alcançado.

Agir por força da Lei, com rigor no método aplicado é crucial. Deter os elementos da vanguarda, proceder ao cerco e isolamento dos elementos avançados permite conter a propagação da violência por imitação dos restantes sujeitos. Espancar manifestantes não é o modo adequado para a contenção física dos elementos que resistam à detenção, nem muito menos promove a acalmia dos restantes indivíduos que se identificam com a lógica de funcionamento grupal de vitimização.

Concomitantemente, é fundamental impedir o alastrar da contestação radical para a restante população, através da clara exposição da situação pela liderança política, preferencialmente por meio da procura de um amplo consenso nacional acerca da ameaça à legalidade vigente de modo a que esta seja reconhecida entre as organizações mais representativas do País (associações sindicais, empresariais, políticas e religiosas).

A resposta de segurança adequada, no tempo e na acção, assim como a garantia do apoio consensual maioritário - Institucional e Popular - contra a ilegitimidade do modo como se manifestam os grupos radicais permite ao Estado de Direito Democrático a continuidade da aplicação das medidas legais de contenção das opções disfuncionais de expressão extremista.

A legitimidade da acção do Estado e a legalidade exemplar da aplicação dos meios de que dispõe retira valor social às pretensões de legitimação das acções radicais. Além disso, previne a generalização do modus faciendi extremista a outros movimentos idênticos que estejam ainda latentes.

Infelizmente, a boa aplicação da arte de conter os danos originados pelas turbas não acabará de vez com todas as manifestações violentas de frustração - quais birras grupais - nem com as multidões enfurecidas que agem sem o crivo do juízo maturo.

De vez em quando, as tensões sociais acumuladas libertam-se violentamente, ora por espontaneidade contra um qualquer bode-expiatório ora por via da manipulação por forças invisíveis. A natureza humana é demasiado emocional para que tal deixe de acontecer.

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Esta foto é de uma árvore de Natal incendiada na Praça Sintagma, em pleno centro da belíssima Atenas.

Uma lástima, além de um simbólico mau-augúrio.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cooperação estratégica ou estratégia na cooperação?


Segundo as notícias divulgadas hoje, a Assembleia da República, por via da maioria absoluta que apoia o executivo governamental, prepara-se para aprovar o Decreto-Lei do novo Estatuto dos Açores apesar da insistente oposição do Presidente da República que motivou, inclusive, uma declaração política sob a forma de comunicado ao País.

Aguardemos a resposta do Presidente Cavaco Silva face ao conflito institucional que ameaça instalar-se entre o partido que suporta o Governo e a Presidência da República.

Contrariamente àqueles que pensam que perante tal ultraje o Presidente deveria tomar uma de duas atitudes - demitir-se ou dissolver a Assembleia da República - considero desde logo que uma hipotética dissolução da Assembleia da República traria, no actual momento político, uma muito provável maioria renovada do Partido Socialista por ausência de alternativa credível no actual panorama oposicionista.

Quanto à hipótese da demissão presidencial, atitude que seria puramente reactiva à crise institucional que se clarifica, trata-se de uma conjectura absurda além de uma resposta política totalmente inaceitável numa Democracia crível.

Penso que, perante a provável aprovação pela Assembleia do Decreto-Lei em causa, o Presidente da República deverá agir racionalmente, como bem sabe e antes já demonstrou no caso da Lei do Divórcio.

Pessoalmente, julgo ser crucial considerar a presente conjuntura antes de reagir à afronta legislativa, não sem concomitantemente a Presidência proceder desta vez ao esclarecimento categórico de quais as condições e objectivos prévios de boa governação do País que considera essenciais.

Nessa declaração política, considero desejável e até imperativo que fique claramente definido que da boa prática governativa (legitimada pelo cumprimento dos compromissos políticos assumidos no Programa do Governo viabilizado pela maioria parlamentar) ou do seu manifesto incumprimento implicará, respectivamente, a continuidade do Executivo ou a dissolução da Assembleia - com a consequente convocação de eleições legislativas (já que a actual composição parlamentar não pressupõe outra alternativa governativa que se afigure viável).

Aguardemos pois pela sucessão de acontecimentos (institucionais, partidários, económicos e sociais) dos próximos seis a oito meses. Eles farão a diferença quanto à próxima formação parlamentar e, logo, ao futuro Governo de Portugal.


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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Celebrações do Dia Mundial da Luta Contra a SIDA - Plano de Prevenção do VIH/SIDA na UALG completa 6 anos de existência



A Universidade do Algarve tem a decorrer um Plano de Prevenção do VIH/SIDA desde Novembro de 2003.


Este programa de prevenção resultou da parceria entre o Gabinete de Psicologia e de Apoio Psicopedagógico dos Serviços de Acção Social da Universidade do Algarve e o C.A.D. de Faro (Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção VIH/SIDA de Faro).



O Plano de Prevenção do VIH SIDA da Universidade do Algarve contempla:

1 - Um rastreio semanal de VIH (gratuito e anónimo) em parceria com o CAD/CNLS com a deslocação semanal de uma Unidade Móvel para consulta de aconselhamento, recolha de sangue e despiste rápido de VIH. Os Rastreios das Quartas-feiras são efectuados no decorrer de cada mês, de semana para semana, no Campus de Portimão, na Escola Superior de Saúde de Faro, no Campus de Gambelas e no Campus da Penha, tendo sido efectuados entre Novembro de 2003 e o mês de Novembro de 2008 cerca de 125 rastreios.

2- A distribuição semanal gratuita de preservativos e de informação escrita actualizada a todos os utentes das cantinas e dos bares dos S.A.S.U.Alg assim como a todos os utentes das residências universitárias (desde Outubro de 2002).

3 – A formação pedagógica dos funcionários envolvidos no Plano de Prevenção VIH/SIDA e dos estudantes voluntários do programa de prevenção primária e de redução de danos denominado TU DECIDES que decorre anualmente no recinto da Semana Académica da Universidade do Algarve (desde Maio de 2003).


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